Home / Saúde e Bem-Estar / Autistas ainda enfrentam barreiras no atendimento odontológico 

Autistas ainda enfrentam barreiras no atendimento odontológico 

Consultórios buscam adaptações para reduzir sobrecarga sensorial e ampliar inclusão – Foto: Reprodução

Apesar dos avanços nas discussões sobre inclusão, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) continuam encontrando obstáculos em serviços básicos de saúde, como a consulta odontológica. Hipersensibilidade sensorial, dificuldades de comunicação e falta de preparo das equipes tornam o atendimento um desafio para pacientes e famílias.

Segundo especialistas, o ambiente do consultório concentra estímulos que podem gerar ansiedade e resistência. Luz intensa, ruídos, cheiros e procedimentos invasivos frequentemente resultam em comportamentos de esquiva. A psicóloga Natali Aparecida Moleiro explica que “o atendimento precisa ser mais individualizado, com planejamento prévio e adaptação ao perfil de cada paciente”.

A cirurgiã-dentista Lais David Amaral, especialista em odontologia para pacientes com necessidades especiais, relata casos em que pequenas adaptações foram decisivas: “Já atendi um paciente que não tolerava instrumentos frios na boca. Foi preciso aquecer todos antes do uso. Sem essa adaptação, o atendimento não seria possível.”

O desafio começa antes mesmo da cadeira do dentista. Ambientes barulhentos, longas esperas e comunicação pouco acessível podem desgastar a experiência. Muitas famílias acabam adiando consultas após vivências negativas. Para reduzir barreiras, clínicas têm criado protocolos internos, com orientações que vão desde ajustes na comunicação até a redução de estímulos sensoriais.

Caroline Guimarães Gil de Araújo, coordenadora de Treinamento e Desenvolvimento da rede OrthoDontic, afirma que a demanda partiu das próprias equipes: “Nos treinamentos, os profissionais começaram a trazer com frequência a dúvida de como lidar da melhor forma com esses pacientes.”

Entre as medidas recomendadas estão a preparação prévia, uso de recursos visuais para explicar cada etapa, divisão do atendimento em partes menores e pausas durante a consulta. “A previsibilidade é um dos pilares nesse tipo de atendimento. Quando o paciente entende o que vai acontecer, a ansiedade diminui e a cooperação tende a aumentar”, destaca Natali.

Embora o Abril Azul ajude a dar visibilidade ao tema, especialistas reforçam que a inclusão depende de mudanças estruturais nos serviços de saúde. Capacitação das equipes, adaptação dos ambientes e protocolos individualizados são apontados como caminhos para ampliar o acesso.

“A odontopediatria costuma acolher bem crianças com TEA, mas muitos adultos acabam desassistidos. Ainda são poucos os dentistas preparados para esse tipo de atendimento no Brasil”, conclui Lais David Amaral.

No fim, o debate evidencia que a inclusão só se concretiza quando o ambiente deixa de ser uma barreira e passa a ser parte da solução.

*Com informações Metrópoles

Tags

Compartilhe

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email
Print