Por Amália Silveira Almeida (*)
A atuação do terapeuta ocupacional no Sertep é pautada na promoção da autonomia, independência e funcionalidade de crianças e adolescentes, especialmente aqueles no espectro autista e com diferentes formas de neurodivergência. Mais do que propor atividades lúdicas, a Terapia Ocupacional utiliza o brincar como uma ferramenta estratégica, com objetivos claros e fundamentados em análise clínica e ocupacional.
É importante destacar que a Terapia Ocupacional não se resume ao ato de brincar. O brincar, nesse contexto, é cuidadosamente planejado e analisado como meio para desenvolver habilidades essenciais para o cotidiano, como organização, regulação emocional, interação social e desempenho nas atividades de vida diária.
O trabalho da Terapia Ocupacional baseia-se na promoção da autonomia e independência nas ocupações humanas — ou seja, em tudo aquilo que a pessoa precisa ou deseja fazer no seu dia a dia. Isso inclui atividades de vida diária, como autocuidado (tomar banho, vestir-se, alimentar-se), além do brincar, do lazer e, futuramente, do trabalho. Onde existe uma pessoa em atividade, inserida em um contexto, existe também o olhar da Terapia Ocupacional, pois nosso foco é promover funcionalidade — afinal, a vida é movimento.
Não existe uma fórmula única ou “receita de bolo”. O que funciona para uma criança pode não ser eficaz para outra. Por isso, o trabalho do terapeuta ocupacional exige constante avaliação, análise de atividades e individualização das estratégias. Para alcançar resultados significativos, o profissional lança mão de diferentes abordagens, técnicas e formações, integrando conhecimentos diversos para construir um plano terapêutico singular, que respeite as necessidades e potencialidades de cada indivíduo.
O objetivo central é favorecer que esses indivíduos se tornem mais independentes em seus próprios contextos de vida, participando de forma ativa e significativa em suas rotinas. Isso envolve não apenas o desenvolvimento de habilidades específicas, mas também a criação de oportunidades reais de participação, inclusão e protagonismo.
Para mim, essa atuação vai além da prática profissional — é um propósito de vida. Parece que foi ontem, mas já são duas décadas de estudo, dedicação e acolhimento às famílias que chegam até mim. Cada história é única e merece ser recebida com respeito, escuta sensível e carinho.
Dessa forma, a Terapia Ocupacional no Sertep contribui diretamente para a construção de trajetórias mais autônomas, respeitando a singularidade de cada sujeito e ampliando suas possibilidades de ação no mundo.








