A integração da inteligência artificial (IA) no setor da saúde brasileira avança a passos largos, com dados recentes indicando que a tecnologia já é uma realidade em uma parcela significativa dos estabelecimentos de atendimento. Este cenário reflete uma tendência global de digitalização e otimização de processos, prometendo transformar a prestação de serviços e o cuidado ao paciente no país.
Uma pesquisa divulgada recentemente revela que 18% dos estabelecimentos de saúde brasileiros já empregam soluções de IA em suas operações. Essa adoção, contudo, apresenta uma distinção entre os setores: enquanto 11% das instituições públicas utilizam a tecnologia, o percentual sobe para 21% no setor privado. Os números são resultado da 12ª edição da pesquisa TIC Saúde, conduzida pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), que entrevistou 3.270 gestores em todo o território nacional.
O panorama da inteligência artificial na saúde brasileira
O levantamento, organizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), departamento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), destaca a crescente relevância da IA. Segundo Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, a rápida disseminação dessas tecnologias nos últimos anos tornou crucial a compreensão de como elas estão sendo incorporadas pelos estabelecimentos de saúde.
A pesquisa oferece um panorama detalhado da penetração da inteligência artificial, mostrando que, embora ainda haja espaço para crescimento, a base para uma transformação digital mais ampla já está estabelecida. A diferença na adoção entre os setores público e privado sugere desafios distintos e prioridades de investimento que moldam a velocidade dessa integração tecnológica.
Aplicações diversas da IA para otimizar o cuidado
A inteligência artificial está sendo aplicada em diversas frentes para aprimorar a eficiência e a qualidade dos serviços de saúde. A principal área de atuação, apontada por 45% dos estabelecimentos, é a organização de processos clínicos e administrativos. Isso inclui desde a gestão de prontuários eletrônicos até a automação de tarefas rotineiras, liberando profissionais para se concentrarem no cuidado direto ao paciente e melhorando a eficiência operacional.
Outras aplicações importantes incluem a melhoria da segurança digital, utilizada por 36% dos estabelecimentos, e o aumento da eficiência dos tratamentos, com 32% de adoção. A IA também auxilia na logística (31%), na gestão de recursos humanos ou recrutamento (27%), no apoio a diagnósticos (26%) e, em menor escala, mas de forma crucial, na dosagem de medicamentos (14%), onde a precisão é vital para a segurança do paciente.
Desafios persistentes na implementação da tecnologia
Apesar dos benefícios evidentes, a adoção da IA no Brasil ainda enfrenta obstáculos significativos. Em hospitais com mais de 50 leitos, os gestores apontam os custos elevados como o principal entrave, citado por 63%. A falta de priorização institucional (56%) e as limitações relacionadas a dados e capacitação profissional (51%) também são barreiras importantes.
Luciana Portilho, coordenadora de projetos de pesquisas do Cetic.br, enfatiza que o avanço da IA na saúde exige profissionais qualificados para garantir uma aplicação segura e responsável. Ela ressalta a importância da consolidação de diretrizes e marcos regulatórios para sustentar a adoção ética da inteligência artificial em um setor que lida com informações sensíveis e impacta diretamente o cuidado com os pacientes.
Outras inovações e a jornada digital na saúde
Além da inteligência artificial, outras tecnologias digitais estão ganhando espaço no ambiente de saúde. O levantamento indica que 9% dos estabelecimentos já utilizam a internet das coisas (IoT), enquanto 5% empregam tecnologia robótica com uso de internet. Essas inovações complementam a IA, criando um ecossistema mais conectado e eficiente.
A digitalização também se estende aos serviços oferecidos diretamente aos pacientes. A visualização de resultados de exames online é disponibilizada por 39% dos estabelecimentos, o agendamento de consultas por 34% e o de exames por 32%. Esses serviços online representam um passo importante na melhoria da experiência do paciente e na acessibilidade aos cuidados de saúde, conforme detalhado na pesquisa TIC Saúde.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








