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Uso excessivo de telas pode impactar o desenvolvimento da linguagem infantil?

Uso excessivo de telas pode impactar o desenvolvimento da linguagem infantil? – Foto: Arquivo

Por Ana Júlia Alves (*)

Celulares, tablets, computadores e televisões estão cada vez mais presentes no cotidiano das famílias. A tecnologia trouxe praticidade e também se tornou uma ferramenta de entretenimento, aprendizado e comunicação. No entanto, o aumento do tempo de exposição às telas na infância tem levantado discussões importantes sobre seus possíveis impactos no desenvolvimento infantil, especialmente na linguagem.

Os primeiros anos de vida são considerados fundamentais para o desenvolvimento da comunicação. É nesse período que a criança aprende a interpretar expressões, responder estímulos, ampliar o vocabulário e desenvolver habilidades sociais através das interações com as pessoas ao seu redor. O desenvolvimento da linguagem não acontece apenas ouvindo palavras; ele ocorre principalmente nas trocas, brincadeiras e experiências vividas.

Quando uma criança passa muitas horas diante de telas, parte dessas oportunidades de interação pode ser reduzida. Mesmo conteúdos considerados educativos não substituem a comunicação humana. Conversar, cantar músicas, contar histórias, brincar e responder às tentativas de comunicação da criança são experiências que estimulam diferentes habilidades importantes para seu desenvolvimento.

Alguns sinais podem chamar atenção, como dificuldade em manter contato visual, pouco interesse em interagir, atraso na fala, vocabulário reduzido ou dificuldade para compreender comandos simples. Entretanto, é importante destacar que o uso de telas, por si só, não explica todos os atrasos no desenvolvimento. Cada criança possui seu próprio ritmo, e diferentes fatores podem influenciar esse processo.

Outro ponto importante é que a questão não está apenas no tempo de tela, mas também na qualidade das experiências oferecidas à criança. O equilíbrio faz diferença. Em muitos casos, a tecnologia pode ser utilizada de forma positiva quando acontece com supervisão, tempo adequado e participação dos responsáveis. Assistir algo junto da criança, conversar sobre o conteúdo e incentivar interações pode tornar esse momento mais rico.

Além disso, pequenas mudanças na rotina podem contribuir significativamente para o desenvolvimento da linguagem. Reservar momentos para brincadeiras, estimular leitura de livros, criar oportunidades para conversas durante as refeições e reduzir o uso de telas em determinados períodos do dia são estratégias simples que fortalecem a comunicação.

Pais e responsáveis não precisam eliminar completamente a tecnologia do cotidiano, mas podem buscar um uso mais consciente. O objetivo não é criar culpa, mas incentivar equilíbrio e qualidade nas interações. A infância é um período de descobertas, e cada conversa, brincadeira e troca afetiva se transforma em oportunidade de aprendizado.

Ao perceber dificuldades relacionadas à comunicação ou ao desenvolvimento da linguagem, a avaliação profissional pode ajudar a compreender melhor as necessidades da criança e orientar a família de forma adequada.

(*) Ana Júlia Alves da Silva é acadêmica de Fonoaudiologia e atua com intervenção baseada em ABA no desenvolvimento da comunicação e habilidades sociais

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