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Tela de ilusões: Como a desinformação nas redes sociais afeta a saúde mental dos jovens

Jovens interagem nas redes sociais em busca de informações sobre saúde mental — Imagem: IA

As redes sociais se tornaram uma das principais fontes de informação sobre saúde mental para adolescentes e jovens. No entanto, um estudo recente alerta para os riscos associados ao consumo de conteúdos imprecisos sobre transtornos como Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Uma revisão sistemática publicada em março de 2026 no Journal of Social Media Research analisou mais de 5 mil publicações sobre saúde mental em plataformas como TikTok, YouTube, Instagram, Facebook e X. Os resultados apontaram que aproximadamente 56% dos conteúdos avaliados continham informações imprecisas ou sem embasamento científico.

TikTok concentra maior volume de conteúdos imprecisos

Entre as plataformas analisadas, o TikTok apresentou os maiores índices de desinformação relacionados ao TDAH e ao autismo. Segundo o estudo, 52% dos vídeos sobre TDAH e 41% dos conteúdos sobre TEA continham erros ou interpretações inadequadas.

Os pesquisadores destacam que o formato rápido e altamente compartilhável das redes sociais pode favorecer a simplificação excessiva de temas complexos, contribuindo para interpretações equivocadas sobre saúde mental.

Outra pesquisa, realizada com estudantes universitários em Nova York, observou que a exposição frequente a conteúdos imprecisos sobre TDAH reduziu o conhecimento correto sobre o transtorno e aumentou a intenção de buscar tratamentos sem orientação profissional adequada.

Os riscos da banalização dos diagnósticos

Para o psiquiatra Luiz Zoldan, gerente médico do Espaço Einstein de Bem-Estar e Saúde Mental, conceitos científicos complexos nem sempre podem ser resumidos de forma adequada em vídeos curtos.

“A simplificação excessiva pode gerar distorções e contribuir para a banalização de diagnósticos que exigem avaliação clínica criteriosa”, afirma.

Segundo especialistas, um dos principais riscos é a interpretação equivocada de comportamentos comuns como sinais definitivos de transtornos mentais.

Situações como distrações ocasionais, procrastinação ou dificuldades momentâneas de organização podem fazer parte da experiência humana e não necessariamente indicam a presença de TDAH ou autismo.

A identificação de transtornos depende da análise da frequência, intensidade e impacto funcional dos sintomas na vida da pessoa, além de avaliação realizada por profissionais qualificados.

Informação responsável e busca por orientação profissional

Apesar dos riscos associados à desinformação, especialistas reconhecem que as redes sociais também podem desempenhar um papel positivo ao ampliar o acesso à informação e estimular a procura por ajuda profissional.

O desafio, segundo os pesquisadores, está em diferenciar conteúdos baseados em evidências científicas de publicações que simplificam excessivamente questões relacionadas à saúde mental.

Profissionais recomendam que usuários priorizem fontes confiáveis, busquem informações produzidas por especialistas qualificados e utilizem as redes sociais como complemento, e não como substituição da avaliação clínica.

Plataformas ampliam medidas de combate à desinformação

Em resposta às preocupações relacionadas à circulação de informações incorretas, o TikTok informou que tem ampliado ações voltadas à moderação de conteúdo e ao combate à desinformação em temas ligados à saúde e à neurodiversidade.

Segundo a plataforma, conteúdos que violam as diretrizes são removidos regularmente, além da manutenção de parcerias com especialistas e organizações de saúde para auxiliar na avaliação da qualidade das informações divulgadas.

Especialistas ressaltam que o acesso à informação pode ser um importante aliado da saúde mental, desde que acompanhado de senso crítico e orientação profissional adequada.

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