O Sistema Único de Saúde (SUS) inicia a distribuição da vacina pneumocócica conjugada 20-valente (Pneumo 20) para crianças de até cinco anos a partir da segunda quinzena de junho de 2026. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na última quarta-feira (3), destacando a incorporação do novo imunizante como um avanço significativo na proteção infantil contra doenças graves. A vacina estará disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todo o país.
A Pneumo 20 representa uma evolução substancial em relação à versão anterior, a Pneumo 10, que já integrava o calendário vacinal. Esta é a quarta vacina incorporada ao esquema de imunização infantil durante a atual gestão do Ministério da Saúde, reforçando o compromisso com a saúde pública. Na rede privada, onde a vacina já é oferecida desde 2025, o custo por dose pode ultrapassar os R$ 500, tornando sua oferta pelo SUS um marco de acessibilidade.
Ampliação da Defesa Imunológica
A nova vacina protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo. Este microrganismo é o principal causador de infecções que variam de quadros leves, como otite e sinusite, a condições severas e potencialmente fatais, incluindo pneumonia bacteriana, meningite e sepse. Tais doenças são responsáveis por um número considerável de hospitalizações, sequelas permanentes e óbitos, especialmente entre crianças pequenas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta a doença pneumocócica como a maior causa de mortalidade infantil por doença prevenível globalmente. No Brasil, entre 2023 e 2025, foram notificados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica, resultando em 1,4 mil óbitos. Deste total, 616 casos e 188 mortes ocorreram em crianças menores de cinco anos. O diferencial da Pneumo 20 reside na ampliação da proteção imunológica, cobrindo sorotipos que mais causam pneumonia invasiva, como os tipos 3, 6A e 19A, que não eram abrangidos pela formulação anterior.
Estratégia de Vacinação e Grupos Prioritários
O Ministério da Saúde já iniciou a distribuição das primeiras 514 mil doses da vacina Pneumo 20, com a expectativa de disponibilizar mais de 6,1 milhões de doses ao longo de 2026. A vacinação terá início nos estados e municípios à medida que os imunizantes forem recebidos e distribuídos. Durante o período de transição, enquanto os estoques da Pneumo 10 são finalizados, o esquema vacinal para crianças seguirá um modelo combinado: uma dose da Pneumo 20 aos dois meses, uma dose da Pneumo 10 aos quatro meses e um reforço da Pneumo 20 aos 12 meses, respeitando o intervalo mínimo de 60 dias entre a segunda dose e o reforço. Após o esgotamento das doses da Pneumo 10, o esquema passará a utilizar exclusivamente a Pneumo 20.
Além das crianças menores de cinco anos, a vacina será ofertada a outros grupos prioritários:
- Povos indígenas com mais de cinco anos de idade (sem histórico vacinal com pneumo conjugada);
- Idosos com 60 anos ou mais que estejam acamados e/ou institucionalizados;
- Pessoas com condições clínicas especiais, atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
Pais e responsáveis podem acompanhar o histórico de vacinação de seus filhos em tempo real por meio da Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital.
Histórico e Recuperação das Coberturas Vacinais
A inclusão da vacinação contra a doença pneumocócica, com a VPC10, no calendário básico infantil em 2010, resultou em uma redução de 60% nos casos de doença pneumocócica invasiva causada pelos sorotipos abrangidos pela vacina em crianças de até dois anos, e uma queda de 65% nos casos de meningite pneumocócica na mesma faixa etária. Contudo, dados recentes indicam um crescimento nos casos. Entre 2013 e 2019, a média anual de meningite pneumocócica em crianças de até cinco anos foi de 164 casos, subindo para 211,3 casos anuais entre 2022 e 2024. Quase 40% dos casos graves com amostra coletada entre 2018 e 2023 foram causados por dois tipos da bactéria não prevenidos pela VPC10, mas agora incluídos na nova formulação.
Nos últimos três anos, o Ministério da Saúde tem trabalhado para reverter a tendência de queda nas coberturas vacinais infantis observada até 2022. A cobertura do esquema básico contra doenças pneumocócicas, por exemplo, passou de 90,01% em 2023 para 93,22% em 2024 e 93,45% em 2025. Em 2026, a cobertura parcial acumulada já alcança 86,33%. O ministro Padilha enfatizou o esforço contínuo para fortalecer o Programa Nacional de Imunização, combatendo o negacionismo e recuperando a credibilidade da vacinação no país. Acesse mais informações sobre a vacinação no Brasil.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








