Home / Gerais / Vacina Pneumo 20 chega ao SUS em junho de 2026 para crianças de até cinco anos

Vacina Pneumo 20 chega ao SUS em junho de 2026 para crianças de até cinco anos

© Tomaz Silva/Agência Brasil
© Tomaz Silva/Agência Brasil

O Sistema Único de Saúde (SUS) inicia a distribuição da vacina pneumocócica conjugada 20-valente (Pneumo 20) para crianças de até cinco anos a partir da segunda quinzena de junho de 2026. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na última quarta-feira (3), destacando a incorporação do novo imunizante como um avanço significativo na proteção infantil contra doenças graves. A vacina estará disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todo o país.

A Pneumo 20 representa uma evolução substancial em relação à versão anterior, a Pneumo 10, que já integrava o calendário vacinal. Esta é a quarta vacina incorporada ao esquema de imunização infantil durante a atual gestão do Ministério da Saúde, reforçando o compromisso com a saúde pública. Na rede privada, onde a vacina já é oferecida desde 2025, o custo por dose pode ultrapassar os R$ 500, tornando sua oferta pelo SUS um marco de acessibilidade.

Ampliação da Defesa Imunológica

A nova vacina protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo. Este microrganismo é o principal causador de infecções que variam de quadros leves, como otite e sinusite, a condições severas e potencialmente fatais, incluindo pneumonia bacteriana, meningite e sepse. Tais doenças são responsáveis por um número considerável de hospitalizações, sequelas permanentes e óbitos, especialmente entre crianças pequenas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta a doença pneumocócica como a maior causa de mortalidade infantil por doença prevenível globalmente. No Brasil, entre 2023 e 2025, foram notificados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica, resultando em 1,4 mil óbitos. Deste total, 616 casos e 188 mortes ocorreram em crianças menores de cinco anos. O diferencial da Pneumo 20 reside na ampliação da proteção imunológica, cobrindo sorotipos que mais causam pneumonia invasiva, como os tipos 3, 6A e 19A, que não eram abrangidos pela formulação anterior.

Estratégia de Vacinação e Grupos Prioritários

O Ministério da Saúde já iniciou a distribuição das primeiras 514 mil doses da vacina Pneumo 20, com a expectativa de disponibilizar mais de 6,1 milhões de doses ao longo de 2026. A vacinação terá início nos estados e municípios à medida que os imunizantes forem recebidos e distribuídos. Durante o período de transição, enquanto os estoques da Pneumo 10 são finalizados, o esquema vacinal para crianças seguirá um modelo combinado: uma dose da Pneumo 20 aos dois meses, uma dose da Pneumo 10 aos quatro meses e um reforço da Pneumo 20 aos 12 meses, respeitando o intervalo mínimo de 60 dias entre a segunda dose e o reforço. Após o esgotamento das doses da Pneumo 10, o esquema passará a utilizar exclusivamente a Pneumo 20.

Além das crianças menores de cinco anos, a vacina será ofertada a outros grupos prioritários:

  • Povos indígenas com mais de cinco anos de idade (sem histórico vacinal com pneumo conjugada);
  • Idosos com 60 anos ou mais que estejam acamados e/ou institucionalizados;
  • Pessoas com condições clínicas especiais, atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).

Pais e responsáveis podem acompanhar o histórico de vacinação de seus filhos em tempo real por meio da Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital.

Histórico e Recuperação das Coberturas Vacinais

A inclusão da vacinação contra a doença pneumocócica, com a VPC10, no calendário básico infantil em 2010, resultou em uma redução de 60% nos casos de doença pneumocócica invasiva causada pelos sorotipos abrangidos pela vacina em crianças de até dois anos, e uma queda de 65% nos casos de meningite pneumocócica na mesma faixa etária. Contudo, dados recentes indicam um crescimento nos casos. Entre 2013 e 2019, a média anual de meningite pneumocócica em crianças de até cinco anos foi de 164 casos, subindo para 211,3 casos anuais entre 2022 e 2024. Quase 40% dos casos graves com amostra coletada entre 2018 e 2023 foram causados por dois tipos da bactéria não prevenidos pela VPC10, mas agora incluídos na nova formulação.

Nos últimos três anos, o Ministério da Saúde tem trabalhado para reverter a tendência de queda nas coberturas vacinais infantis observada até 2022. A cobertura do esquema básico contra doenças pneumocócicas, por exemplo, passou de 90,01% em 2023 para 93,22% em 2024 e 93,45% em 2025. Em 2026, a cobertura parcial acumulada já alcança 86,33%. O ministro Padilha enfatizou o esforço contínuo para fortalecer o Programa Nacional de Imunização, combatendo o negacionismo e recuperando a credibilidade da vacinação no país. Acesse mais informações sobre a vacinação no Brasil.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Tags

Compartilhe

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email
Print