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Telemedicina reduz internações e melhora qualidade de vida de pacientes com câncer avançado, aponta estudo

Médica realiza acompanhamento de paciente por telemedicina durante atendimento domiciliar em cuidados paliativos
Médica acompanhando paciente por meio de telemedicina, promovendo cuidados paliativos em casa — Imagem: IA

Pesquisa apresentada na ASCO 2026 aponta que o acompanhamento remoto pode contribuir para reduzir hospitalizações e ampliar o conforto de pacientes em cuidados paliativos

O uso da telemedicina vem ganhando espaço em diferentes áreas da saúde e pode representar um importante avanço na assistência a pacientes com câncer avançado. Um estudo apresentado durante a edição de 2026 da American Society of Clinical Oncology (ASCO), um dos principais eventos mundiais da oncologia, mostrou que o acompanhamento remoto em cuidados paliativos pode reduzir internações hospitalares e contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

A pesquisa envolveu 116 pacientes com câncer avançado e avaliou os impactos do monitoramento remoto no controle de sintomas e no acompanhamento clínico. Os resultados indicaram que a telemedicina pode auxiliar na identificação precoce de problemas de saúde, permitindo intervenções mais rápidas e evitando hospitalizações que poderiam ser desnecessárias em determinados casos.

O que são cuidados paliativos

Os cuidados paliativos são uma abordagem assistencial voltada para pessoas que convivem com doenças graves, progressivas ou que ameaçam a continuidade da vida. O objetivo não é apenas tratar a doença, mas promover conforto, controle de sintomas e qualidade de vida para pacientes e familiares.

De acordo com o Ministério da Saúde, os cuidados paliativos podem ser iniciados em diferentes fases do tratamento e não se restringem aos momentos finais da vida. A assistência envolve uma equipe multiprofissional formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais e outros profissionais, conforme a necessidade de cada paciente.

Além do câncer, essa abordagem também pode beneficiar pessoas com doenças neurológicas, insuficiência cardíaca, doenças pulmonares crônicas, Alzheimer e outras condições de evolução prolongada.

Como a telemedicina contribui para o atendimento

Pacientes com câncer avançado frequentemente enfrentam sintomas como dor, fadiga, falta de ar, náuseas e limitações físicas que dificultam deslocamentos frequentes para consultas presenciais.

Nesse cenário, a telemedicina permite que profissionais de saúde acompanhem a evolução clínica à distância, avaliem sintomas, orientem familiares e cuidadores e realizem ajustes terapêuticos quando necessário.

Segundo os pesquisadores envolvidos no estudo, esse acompanhamento contínuo favorece uma resposta mais rápida às necessidades do paciente, reduzindo a necessidade de visitas emergenciais e internações hospitalares.

A modalidade também facilita a comunicação entre equipe médica, paciente e familiares, permitindo um acompanhamento mais próximo mesmo quando há dificuldades de locomoção.

Menos hospitalizações e mais conforto

Entre os principais resultados observados pelos pesquisadores está a redução do número de internações hospitalares durante o acompanhamento dos pacientes.

Especialistas destacam que a diminuição de hospitalizações não significa ausência de tratamento, mas sim a possibilidade de oferecer assistência adequada em ambientes considerados mais confortáveis e familiares para muitos pacientes.

A permanência em casa, quando clinicamente segura, pode favorecer o bem-estar emocional, preservar vínculos familiares e reduzir o desgaste associado a deslocamentos frequentes para unidades de saúde.

Além disso, a redução de internações pode contribuir para uma utilização mais eficiente dos recursos hospitalares, permitindo que estruturas de alta complexidade sejam direcionadas para situações que realmente exigem esse tipo de atendimento.

Tecnologia amplia acesso aos cuidados

A expansão da telemedicina observada nos últimos anos demonstrou que a tecnologia pode desempenhar papel relevante na ampliação do acesso à saúde.

Embora tenha recebido maior atenção durante a pandemia de Covid-19, a modalidade continua sendo utilizada em diversas especialidades médicas e vem apresentando resultados positivos em diferentes contextos assistenciais.

No caso dos cuidados paliativos, a tecnologia permite que pacientes recebam orientações sem a necessidade de deslocamentos constantes, fator especialmente importante para pessoas com limitações físicas ou que residem longe de centros especializados.

Ainda assim, especialistas ressaltam que a telemedicina não substitui completamente o atendimento presencial. Em determinadas situações, exames físicos, procedimentos específicos e avaliações clínicas detalhadas continuam exigindo consultas presenciais.

Humanização e qualidade assistencial

Os pesquisadores destacam que o principal objetivo dos cuidados paliativos é garantir que o tratamento esteja alinhado às necessidades, preferências e objetivos de cada paciente.

Nesse contexto, a telemedicina surge como uma ferramenta complementar capaz de fortalecer a assistência, ampliar o monitoramento clínico e favorecer a tomada de decisões compartilhadas entre profissionais, pacientes e familiares.

Os resultados apresentados na ASCO reforçam a importância de modelos assistenciais que integrem tecnologia, acompanhamento multiprofissional e atenção centrada na pessoa.

À medida que os serviços de saúde ampliam o uso de recursos digitais, a tendência é que novas estratégias de acompanhamento remoto sejam incorporadas ao cuidado de pacientes com doenças graves, contribuindo para uma assistência mais acessível, eficiente e humanizada.

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