Endometriose e saúde menstrual serão foco de uma nova chamada pública que destinará R$ 60 milhões para pesquisas científicas, desenvolvimento de diagnósticos e fortalecimento de políticas públicas no Brasil.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Instituto Alana, anunciou uma chamada pública voltada ao financiamento de pesquisas sobre endometriose e saúde menstrual. A iniciativa prevê investimentos de R$ 60 milhões destinados ao desenvolvimento científico, diagnóstico, tratamento e compreensão dos impactos sociais dessas condições.
O anúncio foi realizado no início de junho de 2026 e integra uma estratégia nacional para ampliar a produção de conhecimento em áreas historicamente pouco exploradas dentro da saúde da mulher.
Segundo o governo federal, os recursos deverão apoiar grupos de pesquisa, estimular a criação de novos métodos diagnósticos, fortalecer estudos clínicos e ampliar a compreensão dos impactos econômicos e sociais relacionados à saúde menstrual e à endometriose.
Endometriose afeta milhões de mulheres no Brasil
A endometriose é uma doença caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio fora do útero, podendo provocar dor intensa, alterações menstruais, infertilidade e comprometimento da qualidade de vida.
Estima-se que aproximadamente 8 milhões de mulheres brasileiras convivam com a condição, incluindo adolescentes e mulheres em idade reprodutiva.
Apesar da elevada incidência, especialistas apontam que a doença ainda enfrenta desafios relacionados ao diagnóstico precoce e ao acesso ao tratamento.
Durante o evento, representantes das instituições participantes destacaram que muitas pacientes convivem durante anos com sintomas sem receber diagnóstico adequado.
Dados apresentados durante o lançamento indicam que uma parcela significativa das mulheres leva vários anos até obter a confirmação da doença, o que pode atrasar o início do tratamento e ampliar impactos físicos, emocionais e sociais.
Endometriose será prioridade em nova rede nacional de pesquisa
Os recursos anunciados deverão contribuir para a criação e fortalecimento de uma rede nacional de pesquisa dedicada ao tema.
Entre os objetivos estão:
- desenvolvimento de métodos diagnósticos;
- estudos sobre prevenção e tratamento;
- estruturação de biorepositórios;
- ampliação do conhecimento científico sobre a doença;
- análise dos impactos sociais e econômicos da endometriose.
A expectativa é que os investimentos fortaleçam a produção científica nacional e ampliem a capacidade de resposta do sistema de saúde diante das necessidades das pacientes.
Pesquisadores também defendem que o avanço do conhecimento pode contribuir para reduzir o tempo médio de diagnóstico e melhorar a qualidade da assistência oferecida às mulheres.
Saúde menstrual ganha espaço nas políticas públicas
Além da endometriose, a chamada pública contempla pesquisas relacionadas à saúde menstrual.
Especialistas destacam que o tema vem ganhando maior atenção nos últimos anos devido ao reconhecimento de seus impactos sobre educação, trabalho, bem-estar e acesso à saúde.
Estudos apontam que milhões de brasileiras convivem com dores menstruais frequentes e outras condições que afetam atividades cotidianas.
A ampliação das pesquisas poderá gerar dados mais robustos para subsidiar políticas públicas, programas de assistência e estratégias de prevenção.
Segundo o MCTI, a iniciativa busca fortalecer a integração entre pesquisa científica, inovação e desenvolvimento de soluções voltadas à saúde da mulher.
Investimentos podem ampliar conhecimento e assistência
Especialistas avaliam que o investimento representa uma oportunidade para ampliar a produção científica brasileira em áreas que historicamente receberam menor volume de financiamento.
O fortalecimento da pesquisa pode contribuir para o desenvolvimento de novos protocolos clínicos, aprimoramento do diagnóstico e expansão do conhecimento sobre fatores que influenciam a saúde feminina.
Também existe expectativa de que os estudos apoiados produzam informações capazes de orientar futuras decisões de gestores públicos e profissionais de saúde.
A iniciativa reforça uma tendência observada internacionalmente de ampliar investimentos em pesquisas relacionadas à saúde da mulher, reconhecendo a necessidade de respostas mais efetivas para condições que afetam milhões de pessoas.
Com a destinação de R$ 60 milhões para pesquisa científica, o Brasil dá um passo importante para ampliar o conhecimento sobre endometriose e saúde menstrual, fortalecendo a capacidade de produzir evidências, aprimorar tratamentos e subsidiar políticas públicas voltadas à promoção da saúde feminina.








