Pessoas diagnosticadas com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e dislexia agora têm motivos para celebrar a recente aprovação de uma lei em Minas Gerais que prevê atendimento especial durante a realização de concursos públicos. Publicada no Diário Oficial do Estado no último dia 9 de junho, a legislação estabelece medidas que buscam tornar o processo seletivo mais inclusivo e acessível, assegurando que candidatos com essas condições possam competir em pé de igualdade com os demais.
No contexto atual, em que a luta pela inclusão e equidade nas oportunidades se intensifica, a nova norma surge como um reconhecimento das dificuldades enfrentadas por quem possui TDAH e dislexia. Estima-se que no Brasil, a prevalência do TDAH varie entre 5% a 7% da população, enquanto a dislexia é considerada uma das dificuldades de aprendizagem mais comuns, afetando entre 5% e 10% das crianças em idade escolar. Essa legislação, portanto, não apenas reconhece a existência dos transtornos, mas também busca implantar uma estrutura que considere as necessidades específicas desses indivíduos.
Novas práticas para garantir acessibilidade
Dentre as medidas que a legislação contempla, destaca-se a concessão de até 1h30 de tempo adicional para que os candidatos consigam completar as provas. Essa alteração é fundamental, pois reconhece que a velocidade de execução de tarefas pode ser uma barreira significativa para pessoas com essas condições. Além disso, os candidatos podem solicitar apoio como auxílio na leitura das provas e ajuda no preenchimento das respostas, o que demonstra uma preocupação com a real capacidade de desempenho dos indivíduos afetados.
A implementação do apoio não se restringe apenas ao tempo extra ou ao auxílio na leitura. A nova lei também prevê a disponibilização de salas separadas para a realização das provas, proporcionando um ambiente que minimiza possíveis distrações e favorece a concentração, crucial para candidatos com TDAH. Essa adequação do ambiente, em conjunto com o suporte técnico, promete tornar o processo avaliativo mais justo e reparador, respeitando as particularidades de cada candidato.
Como solicitar o atendimento especial
A quantidade de candidatos beneficiados depende, em grande parte, da divulgação e do acesso à informação sobre como solicitar o atendimento especial. Para isso, os interessados deverão apresentar laudo médico que comprove seu diagnóstico e especifique as adaptações requeridas para a realização da prova. Essa formalização é fundamental para que os órgãos responsáveis possam organizar adequadamente os recursos necessários para cada concurso.
A expectativa é que a nova norma entre em vigor em até 90 dias após sua publicação, sendo aplicável somente a novos concursos estaduais, o que significa que as seleções já em andamento não serão impactadas. Essa transição garante que os candidatos atuais que não tenham se preparado ou solicitado as adaptações não sejam pegos de surpresa, oferecendo um espaço de adaptação para todos os envolvidos.
Além disso, se o órgão responsável por um concurso não possui as tecnologias adequadas para implementar o que a lei exige, ele deverá fornecer profissionais que possam atuar como ledores e transcritores, garantindo que as avaliações sejam realizadas de forma eficaz e inclusiva. Essa ação é um passo importante para assegurar que todos os candidatos tenham a oportunidade de ser avaliados em suas reais competências, e não pelas limitações impostas por suas dificuldades de aprendizagem.
A adoção de práticas que visem a inclusão em concursos públicos traduz uma mudança significativa no cenário educacional e social de Minas Gerais. Com a criação dessa legislação, o estado não apenas se alinha às melhores práticas de inclusão social, mas também sinaliza um compromisso com a valorização da diversidade e a equidade nas oportunidades profissionais.
Cabe ressaltar que, apesar dos avanços, o sucesso da implementação dessa lei dependerá de ações contínuas de informação e capacitação dos profissionais envolvidos na realização dos concursos. Mecanismos de formação continuada e sensibilização sobre a importância da inclusão em todas as esferas da sociedade são essenciais para que os melhoria da lei se converta em uma realidade palpável na vida dos candidatos com TDAH e dislexia.
Por fim, essa iniciativa representa um arco de esperança e um reflexo das transformações que a sociedade anseia. Pessoas com transtornos neurodivergentes frequentemente enfrentam dificuldades que vão além do ambiente de exame; no dia a dia, são vítimas de estigmas e barreiras que limitam suas chances de sucesso. A nova legislação é um passo na direção certa, mas a tarefa de criar uma sociedade verdadeiramente inclusiva é um esforço que exige comprometimento e ação coletiva, tanto por parte do governo quanto da sociedade em geral.








