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Rigidez cognitiva e flexibilidade comportamental no TEA

Rigidez cognitiva e flexibilidade comportamental no TEA – Foto: Arquivo Pessoal

Por Raiane Bragança (*)

Mudanças fazem parte da vida. Alterações na rotina, novos ambientes, regras diferentes e situações inesperadas exigem adaptação constante. Porém, para muitas pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), essas mudanças podem gerar intenso desconforto emocional, o que chamamos de rigidez cognitiva.

A rigidez cognitiva é caracterizada pela dificuldade em flexibilizar pensamentos, comportamentos e formas de agir diante de situações novas. Na prática, isso pode se manifestar como necessidade excessiva de rotina, resistência a mudanças, sofrimento diante de imprevistos e dificuldade em aceitar novas possibilidades.

É comum que crianças com autismo apresentem irritação quando ocorrem alterações simples no dia a dia, como mudanças de horário, troca de professor, um caminho diferente para casa ou até pequenas modificações nas brincadeiras. Muitas vezes, esses comportamentos são interpretados como “teimosia”, quando, na realidade, refletem uma dificuldade de adaptação.

Além do impacto na rotina, a rigidez cognitiva também influencia as relações sociais, essa dificuldade em compreender diferentes pontos de vista e lidar com frustrações pode tornar as interações mais desafiadoras, aumentando quadros de ansiedade e estresse emocional.

Por isso, o acompanhamento psicológico tem papel fundamental no desenvolvimento da flexibilidade emocional e comportamental. Estratégias como antecipação de mudanças, uso de recursos visuais, treino de habilidades sociais e fortalecimento da regulação emocional ajudam a tornar o cotidiano mais previsível, seguro e acolhedor.

É importante lembrar que cada pessoa com autismo possui características únicas. Com acolhimento, compreensão e suporte adequado, é possível promover maior autonomia, adaptação e qualidade de vida. Falar sobre rigidez cognitiva é ampliar o olhar para além do comportamento, compreendendo as necessidades emocionais que estão por trás das reações da pessoa autista.

(*) Raiane Viana de Souza Bragança é psicóloga formada pela Faculdade Pitágoras de Ipatinga, pós-graduanda em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e terapeuta ABA. Possui experiência em NASF, CAPS Infantil e na área de Psicologia Social. Atualmente, atua com atendimento terapêutico de crianças e adolescentes atípicos, com foco no desenvolvimento infantil e no fortalecimento de habilidades sociais

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