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Sobre a garantia de direitos das pessoas neurodivergentes e autistas

Garantia de direitos fortalece inclusão de pessoas neurodivergentes – Imagem: Gerada por IA

Por Vania Coelho (*)

Como assistente social que atua diariamente ao lado de pessoas neurodivergentes e autistas, tenho visto, de perto, o quanto a compreensão e o reconhecimento dos direitos são fundamentais para uma vida mais digna, plena e com mais qualidade. Mais do que um conjunto de regras, os direitos representam o reconhecimento de que cada pessoa tem valor, possui suas próprias formas de perceber, sentir e interagir com o mundo — e merece ser acolhida e respeitada em sua singularidade.

Garantir direitos significa, antes de tudo, assegurar que ninguém seja impedido de viver, aprender, trabalhar, se relacionar ou circular em sociedade por conta da sua forma de funcionamento neurológico. É a certeza de que as barreiras, sejam elas físicas, sociais ou de compreensão, devem ser eliminadas ou reduzidas, para que todos possam exercer sua cidadania em igualdade de condições. Essa garantia não é algo que se conquista de uma vez por todas: ela se constrói dia a dia, na prática, no respeito às diferenças e na busca constante por inclusão.

Muitas vezes, no entanto, as famílias e as próprias pessoas neurodivergentes e autistas encontram dificuldades para identificar, compreender e fazer valer esses direitos. Isso acontece, em grande parte, porque ainda há muita falta de informação e, infelizmente, preconceito e desatenção por parte de serviços e instituições. Por isso, é fundamental que não se caminhe sozinho nessa jornada: contar com o suporte profissional é o caminho mais seguro e eficaz para conseguir acessar tudo o que é de direito.

No Sertep, os profissionais que realizam as múltiplas terapias também têm um papel essencial nesse processo: ao longo dos atendimentos, eles conseguem perceber necessidades, identificar demandas relacionadas ao acesso a direitos e, sempre que necessário, encaminhar para o acompanhamento no serviço Social. Dessa forma, o trabalho se torna integrado, e cada olhar contribui para que nenhuma necessidade passe despercebida, garantindo que o suporte chegue de forma mais rápida e adequada.

Dessa forma, o papel do Serviço Social no Sertep é receber essas demandas, orientar sobre os caminhos, acompanhar os encaminhamentos, realizar a articulação da rede, manter a conversa e o contato com os demais serviços e atuar para que o acesso aos direitos não fique apenas no papel, mas se torne uma realidade no dia a dia. Buscar esse suporte não é sinal de fraqueza, mas sim uma atitude responsável e inteligente, que fortalece a capacidade de lutar pelo que é justo e necessário.

Nosso compromisso, enquanto serviço e enquanto profissionais, é caminhar ao lado de cada pessoa e de cada família, oferecendo acolhimento, orientação e apoio para que a garantia de direitos seja, cada vez mais, uma realidade palpável. Afinal, quando os direitos são efetivamente assegurados, estamos construindo uma sociedade mais justa, onde a diversidade é vista não como um obstáculo, mas como uma riqueza que nos torna mais humanos.

(*) Vania Coelho é assistente social, psicopedagoga e tradutora/intérprete de Libras. Atua na promoção da inclusão, educação e cidadania, dedicando sua carreira ao fortalecimento de práticas sociais e educacionais que valorizam a diversidade e ampliam o acesso ao conhecimento

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