A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR/Fiocruz) promoveu recentemente o I Congresso da Rede Global de Bancos de Leite Humano, um evento crucial para a discussão sobre a importância da doação de leite materno. Com o tema “15 Anos Promovendo Equidade e Resiliência”, o congresso celebrou um marco de 15 anos do Dia Mundial de Doação de Leite Humano. O encontro reuniu especialistas para refletir sobre os avanços, desafios e perspectivas da mobilização mundial, reforçando a doação de leite humano como uma ação essencial para a saúde de recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados.
No Brasil, que se destaca por reunir mais de 230 bancos de leite humano, a iniciativa da Fiocruz sublinha o compromisso contínuo com a promoção da saúde infantil. A rede de bancos de leite é um serviço de saúde fundamental para a sociedade, oferecendo apoio às mulheres que amamentam e coletando a produção excedente. Este leite doado passa por rigorosos processos de controle de qualidade antes de ser direcionado aos bebês que mais precisam.
A Importância Vital do Leite Humano para Recém-Nascidos Prematuros
O leite humano doado transcende a função de um simples alimento, constituindo-se em um recurso terapêutico vital para recém-nascidos prematuros e de baixo peso. Sua composição única atua diretamente na imunidade e no desenvolvimento dessas crianças, contribuindo significativamente para uma alta hospitalar mais precoce e segura.
A coordenadora da rBLH e do Banco de Leite Humano do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Danielle Aparecida da Silva, enfatiza que o leite materno é um fator decisivo para a recuperação e o bem-estar dos bebês mais vulneráveis. Ele oferece proteção contra infecções e auxilia na maturação de órgãos ainda em desenvolvimento.
O Desafio Contínuo de Ampliar as Doações de Leite Humano
Apesar da importância inegável, o grande desafio reside em sensibilizar as mulheres lactantes a doar o excesso de leite, evitando o descarte. É comum que mães com alta produção de leite acabem jogando fora o excedente que seus bebês não consomem, por falta de conhecimento sobre a possibilidade da doação.
A rBLH busca intensificar a conscientização para que essas mulheres se dirijam aos bancos de leite humano. O volume de doação, embora tenha registrado um aumento de 8%, ainda é considerado insuficiente para atender a 100% dos bebês que necessitam. A doação é flutuante ao longo do ano, com quedas significativas após períodos de maior sensibilização, como o mês de maio, e durante as férias e festas de fim de ano.
No Banco de Leite do Instituto Fernandes Figueira, por exemplo, alguns meses registram entre 100 e 150 doadoras, que produzem uma média de 100 a 150 litros de leite. Contudo, com a proximidade do inverno e o aumento das doenças respiratórias, a internação de bebês cresce, elevando a demanda por leite, que nem sempre é suprida pelo volume de doações.
Panorama Nacional da Coleta e Distribuição de Leite Materno
A situação da doação de leite humano varia consideravelmente entre as regiões do Brasil. O Distrito Federal já alcançou a autossuficiência, conseguindo coletar uma quantidade de leite que atende a totalidade dos bebês necessitados. Rio Grande do Sul e Santa Catarina também estão progredindo em direção a essa sustentabilidade.
No entanto, as regiões Norte e Nordeste ainda enfrentam dificuldades, com a maioria dos estados possuindo apenas um banco de leite, à exceção do Amazonas e Pará. No estado do Rio de Janeiro, que conta com uma rede de 17 bancos de leite humano distribuídos pela capital, região metropolitana e interior, as doações permaneceram estáveis e, em alguns meses, até diminuíram, indicando a necessidade de campanhas contínuas de sensibilização.
Inovação e Engajamento Global na Promoção da Doação
O Brasil, com 40 anos de experiência no desenvolvimento de soluções inovadoras para bancos de leite humano, lideradas pela Fiocruz, tem sido uma referência global. Um dos avanços mais notáveis ocorreu durante a epidemia de covid-19, quando a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano se reinventou para manter o engajamento.
Em vez de o Ministério da Saúde definir o slogan para o Dia Mundial, a própria rede lançou um edital global para a escolha do tema, aberto a toda a sociedade e recebendo propostas de cinco continentes. Uma votação popular elegeu o slogan vencedor no primeiro ano da pandemia: “A pandemia trouxe mudanças; a sua doação traz esperança”. O sucesso dessa iniciativa foi tão grande que o processo de escolha dos slogans anuais segue esse formato participativo até hoje, com lemas como “A solidariedade nutre e a vida cresce”, vencedor de uma edição anterior vindo do Equador.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








