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Ebola na África: OMS alerta para rápida escalada de surtos com centenas de mortes suspeitas

© REUTERS/Goran Tomasevic / direitos reservados
© REUTERS/Goran Tomasevic / direitos reservados

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta sobre a crescente preocupação com os surtos de ebola que afetam a República Democrática do Congo (RDC) e Uganda. A entidade contabiliza quase 600 casos suspeitos e 139 mortes suspeitas relacionadas à doença, indicando uma situação de saúde pública em rápida deterioração no continente africano.

Embora 51 casos tenham sido oficialmente confirmados em duas províncias do norte da RDC, a própria OMS reconhece que a verdadeira escala da epidemia na região é significativamente maior do que os números iniciais sugerem, dada a dificuldade de detecção e monitoramento em áreas de conflito.

Ameaça crescente do ebola e desafios de contenção

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, expressou profunda preocupação com a evolução dos surtos. Ele destacou que, além dos casos confirmados, a existência de centenas de casos e mortes suspeitas aponta para uma circulação do vírus por um período considerável antes de sua detecção oficial, o que pode levar a um aumento contínuo desses números.

A situação é agravada pela ocorrência de casos em diversas áreas urbanas, especialmente na RDC, e entre profissionais de saúde, que estão na linha de frente do combate à doença. A movimentação significativa de pessoas na região, particularmente na província de Ituri, na RDC, devido à intensificação de conflitos, representa um desafio adicional para a contenção do vírus.

Fatores de risco e a circulação do vírus Bundibugyo

A província de Ituri, na RDC, tem sido palco de conflitos intensificados desde o final de 2025, resultando no deslocamento de quase 100 mil pessoas nos últimos dois meses. Esse cenário de instabilidade e migração em massa facilita a disseminação do vírus, dificultando as ações de controle e prevenção.

Um aspecto crítico dos surtos atuais é que ambos são causados pelo vírus Bundibugyo, um tipo de ebola para o qual, até o momento, não há vacina ou tratamento aprovados. Essa particularidade eleva a gravidade da situação e a urgência por medidas de saúde pública eficazes.

Resposta da OMS e a declaração de emergência internacional

Diante da complexidade e da gravidade dos surtos, a OMS tem mobilizado uma equipe no terreno para apoiar as autoridades nacionais. A organização está deslocando pessoal especializado, suprimentos essenciais, equipamentos médicos e recursos financeiros para auxiliar na resposta à crise.

No início do mês, autoridades sanitárias da RDC emitiram um alerta sobre uma doença desconhecida de alta mortalidade em Mongbwalu, na província de Ituri, com mortes inclusive entre profissionais de saúde. Após análises laboratoriais, o Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa confirmou a presença do vírus Bundibugyo em amostras colhidas.

Em 15 de maio, o Ministério da Saúde Pública, Higiene e Bem-Estar Social da RDC declarou oficialmente o 17º surto de ebola no país. Simultaneamente, Uganda, país vizinho, confirmou um surto do mesmo vírus Bundibugyo, após identificar um caso importado de um cidadão congolês que faleceu na capital, Kampala. Um segundo caso em Uganda envolveu um norte-americano, que foi transferido para a Alemanha.

Após consultar os Estados-Membros afetados, o diretor-geral da OMS determinou que o ebola causado pelo vírus Bundibugyo na RDC e em Uganda constitui uma emergência em saúde pública de importância internacional, reforçando a necessidade de uma resposta global coordenada.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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