Em uma manhã de maio de 2026, a tranquilidade de Calama, um distrito de Porto Velho (RO), foi transformada pela chegada do Barco Ciência, Saúde e Cidadania. Centenas de moradores ribeirinhos se aglomeravam próximo à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) local, ansiosos pelos serviços de saúde e cidadania que a expedição, em sua sexta edição, prometia oferecer. Para muitas dessas comunidades isoladas, a iniciativa representa a única chance de acesso a cuidados essenciais, que de outra forma exigiriam viagens extenuantes de até nove horas.
saúde: cenário e impactos
A carência de infraestrutura e a vasta geografia da Amazônia Ocidental impõem desafios diários aos ribeirinhos, que frequentemente vivem sem postos de saúde ou acesso fácil a especialistas. Nesse contexto, a expedição se consolida como uma ponte vital, conectando conhecimento científico e assistência prática diretamente àqueles que mais precisam.
A Jornada de Cuidado pelo Rio Madeira
A iniciativa foi promovida entre os dias 20 e 24 de maio de 2026 pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Pesquisa e Conhecimento de Excelência da Amazônia Ocidental e Oriental (INCT-CONEXAO), uma rede robusta de pesquisadores e instituições. Em parceria com a faculdade Afya São Lucas, de Porto Velho, mais de 100 profissionais, incluindo estudantes, professores e pesquisadores, embarcaram no projeto. A bordo, eles levaram não apenas atendimento médico, mas também ações de educação e cidadania, reforçando o compromisso com o desenvolvimento humano integral.
A expedição navegou pelo Rio Madeira, na região conhecida como Baixo Madeira, fazendo paradas estratégicas nas comunidades de Calama, Nazaré e São Carlos. Calama, a maior delas, com cerca de 2,3 mil habitantes, foi o primeiro ponto de ancoragem, recebendo os serviços nos dois primeiros dias da ação. Essa abordagem direta é fundamental para superar as barreiras geográficas que isolam essas populações.
Superando Barreiras: O Testemunho de Vânia
A realidade dos ribeirinhos é ilustrada pela história de Vânia Caetano dos Reis, uma agricultora familiar de 52 anos, moradora da comunidade Gleba Rio Preto. Para chegar ao local de atendimento em Calama, Vânia enfrentou uma jornada de mais de duas horas e meia de barco, precedida por outras duas horas a cavalo, percorrendo cerca de 12 quilômetros. “Para a gente vir no posto para fazer exame de malária, um exame comum, a gente tem que vir até Calama. É essa a dificuldade, sair de lá para ser atendida e, quando vem um barco desse, com todo tipo de exame e de consulta, a gente tem que aproveitar”, relatou à Agência Brasil.
Vânia, que já havia se consultado com dentista e clínico geral no dia anterior, buscou também atendimento oftalmológico, uma demanda antiga. “Eu sofro da vista desde jovem e como eu mexo com animal, eu andando de cavalo, meu óculos caíam e quebraram”, explicou. A alta procura por exames de vista, com mais de 200 atendimentos realizados, culminou na doação de 300 óculos de grau, fruto de uma parceria com uma ótica de Porto Velho. Vânia, que receberá seus óculos em junho, celebrou a conquista, que representa um ganho significativo em sua qualidade de vida.
Cuidado Essencial para Crianças e Famílias
A dona de casa Edna Miranda de Sousa, de 52 anos, também buscou os serviços da expedição, levando sua neta Bianca Sousa de Castro, de apenas 5 anos. Moradoras da comunidade São Francisco, próxima a Calama, elas vivem em um local onde não há posto de saúde, apenas uma escola de ensino fundamental. “Eu queria saber se ela está com anemia ou alguma coisa, fazer um acompanhamento médico”, disse Edna. A pequena Bianca, por sua vez, reclamava de “pequenas manchas no corpo e pequenas verrugas nas pálpebras”, além de dor e coceira nos olhos, evidenciando a urgência de um diagnóstico e tratamento adequados.
A história de Edna e Bianca ressalta a importância de iniciativas como o Barco Ciência, Saúde e Cidadania, que levam esperança e cuidado a regiões onde o acesso à saúde é um privilégio. O SERTEP Notícias reitera a relevância de projetos que promovem a inclusão social e o bem-estar, especialmente em contextos de vulnerabilidade. A atuação direta nessas comunidades não apenas oferece atendimento imediato, mas também ilumina a necessidade contínua de políticas públicas e ações que garantam o direito à saúde para todos os brasileiros, independentemente de sua localização geográfica.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br








