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Mortalidade materna: Brasil registra mais de mil óbitos anuais e intensifica esforços

© Jas/Pixabay
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A cada ano, centenas de mulheres no Brasil perdem a vida durante a gestação ou nos 42 dias seguintes ao término da gravidez, um cenário que ainda desafia o sistema de saúde do país. Os dados mais recentes, referentes a 2024, revelam que a razão de mortalidade materna atingiu 56,4 a cada 100 mil nascidos vivos, resultando em 1.347 óbitos registrados apenas neste período. A meta nacional é ambiciosa: reduzir esse índice para 30 mortes a cada 100 mil nascidos vivos até 2030.

As informações, compiladas pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus) e consultadas no Observatório da Saúde Pública, sublinham uma realidade preocupante. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a grande maioria dessas mortes – nove em cada dez – seria evitável, reforçando a urgência de ações e políticas públicas eficazes. Em 28 de maio, o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna serve como um lembrete crucial da necessidade de fortalecer a saúde integral da mulher e garantir os direitos de gestantes e puérperas.

A Persistência de um Desafio Evitável

As principais causas de mortalidade materna no Brasil, classificadas como obstétricas diretas e responsáveis por 66% dos óbitos, incluem síndromes hipertensivas, hemorragias, infecções puerperais e complicações decorrentes de abortos. Esses fatores, embora complexos, são frequentemente passíveis de prevenção e manejo adequado com um acompanhamento médico de qualidade.

A chefe da Unidade da Saúde da Mulher da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maria Isabel Peixoto, enfatiza a importância de um pré-natal bem estruturado. “Com um pré-natal bem feito, de qualidade, de preferência o mais precoce possível para pegar todas as variáveis, conseguimos, na grande maioria das vezes, entregar uma paciente pronta para um parto monitorizado num local com boa assistência e com um desfecho favorável”, explica. A Maternidade Escola da UFRJ, inclusive, é um centro de referência para casos de alto risco, demonstrando o impacto positivo de um atendimento especializado.

Cuidado Essencial: O Papel do Pré-Natal e da Equipe Multidisciplinar

A experiência da técnica de enfermagem Fernanda Lopes de Almeida, de 41 anos, ilustra a relevância do acompanhamento contínuo. Grávida de 18 semanas, Fernanda é paciente da maternidade devido a um quadro de hipertensão e histórico de diabetes gestacional. Na instituição, ela recebeu orientações sobre alimentação, realizou exames e mantém um acompanhamento constante. “Sou muito bem atendida, me sinto segura”, relata, destacando a importância de uma adaptação consciente para uma gestação mais tranquila.

Além do acompanhamento médico, a presença de uma equipe multidisciplinar é fundamental para um atendimento integral, conforme defende o enfermeiro obstétrico Renné Costa, membro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). “A gente precisa acreditar muito na multidisciplinaridade das profissões. Cada uma no seu quadrado, cada uma fazendo o seu papel, mas todo mundo centrado nos objetivos que, nesse caso, são a mãe e o bebê”, afirma Costa, ressaltando a sinergia necessária entre os profissionais de saúde.

A Experiência que Transforma Vidas no SUS

Renné Costa compartilha experiências positivas dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), onde a autonomia da enfermagem tem gerado resultados expressivos. Desde 2009, ele já realizou mais de 5 mil partos, a maioria no Hospital Municipal de Viçosa, em Alagoas. O município, com pouco mais de 26 mil habitantes, tornou-se referência para outras nove cidades alagoanas na área de obstetrícia.

A chegada de Costa ao hospital de Viçosa marcou uma transformação: de 80 a 90 partos anuais, a unidade passou a realizar cerca de 600 partos por ano. Ele atribui essa expansão à autonomia concedida aos enfermeiros obstétricos, que podem assistir partos de baixo risco, amparados pela Lei 7.498 de 1986, que regulamenta o exercício profissional da enfermagem. Tais iniciativas, que valorizam a formação e a atuação de equipes qualificadas, são cruciais para reverter o cenário da mortalidade materna no Brasil, garantindo que mais mães e bebês tenham desfechos favoráveis e uma vida saudável.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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