Abril Azul é o mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Para destacar a data, o Jornal Minuano entrevistou a neuropsicóloga Márcia Lonma Quadros, que compartilhou orientações aos pais sobre como identificar sinais de autismo já nos primeiros meses de vida da criança. Quanto mais cedo os pais estiverem atentos a esses indicadores, mais rápida e eficaz poderá ser a intervenção, fazendo toda a diferença no desenvolvimento infantil.
Segundo o primeiro levantamento oficial baseado no Censo 2022 do IBGE, a prevalência do autismo no Brasil é de 1 a cada 38 pessoas. A estimativa aponta para cerca de 2,4 milhões de diagnósticos, com maior incidência entre crianças — especialmente meninos de cinco a nove anos.
Principais sinais de alerta:
– Falta de resposta ao nome até os 12 meses;
– Pouco contato visual, perceptível desde bebê (inclusive durante a amamentação, quando não acompanha o som da voz da mãe);
– Não apontar para compartilhar interesse até os 12 meses;
– Atraso na fala ou ausência de linguagem até os 18 meses;
– Brincadeiras diferentes e repetitivas, como girar, empilhar ou alinhar objetos;
– Pouco interesse por outras crianças;
– Baixa frequência de sons sociais desde bebê (não responde quando o adulto fala ou brinca).
A neuropsicóloga também chama atenção para questões sensoriais que podem se manifestar de diferentes formas, como: alterações no sono (dificuldade extrema para adormecer ou sono muito curto), necessidade constante de colo ou, ao contrário, rejeição a abraços, andar na ponta dos pés e chorar excessivamente diante de estímulos sonoros ou visuais, como ambientes muito iluminados ou com muitas pessoas.
Dicas para os pais:
– Observar o desenvolvimento da criança considerando os marcos esperados para cada idade. A frase “cada criança tem seu tempo” nem sempre é verdadeira;
– Estar atentos a qualquer sinal de atraso e buscar avaliação e intervenção o quanto antes. Estimular habilidades nunca fará mal, enquanto a falta de estímulo no momento certo pode trazer prejuízos significativos;
– Incentivar a criança a fazer pedidos em vez de antecipar todos os seus desejos;
– Oferecer escolhas (apresentar mais de um item em vez de entregar diretamente o preferido);
– Realizar atividades sensório-motoras e sociais (como brincadeiras de roda, aviãozinho, massagens);
– Brincar com brinquedos simples e adequados à idade, organizando-os de forma separada;
– Promover momentos de socialização com outros adultos além dos pais e com outras crianças;
– Evitar o uso de telas antes dos dois anos.
O diagnóstico geralmente ocorre entre 18 e 24 meses, mas sinais podem ser observados desde os primeiros meses de vida. A neuropsicóloga ressalta que a estimulação precoce é fundamental: não é necessário esperar um diagnóstico fechado para iniciar a intervenção. Quanto antes começar, melhores serão os resultados.








