A saúde mental na maternidade atípica é o foco de uma pesquisa desenvolvida pela pediatra Dayse Isabel Coelho Paraíso Belém, que resultou na publicação do e-book gratuito Saúde Mental na Maternidade Atípica: desafios e estratégias de apoio para a inclusão escolar de crianças com TEA.
O trabalho foi apresentado no Programa de Pós-graduação Profissional em Educação Especial da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e reúne relatos de mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de orientações voltadas a profissionais da saúde, da educação e familiares.
A pesquisa foi desenvolvida em parceria com a Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) e representa a primeira dissertação defendida no programa de pós-graduação. O estudo foi construído a partir da experiência de dez mães atendidas na Clínica de Terapias Especiais Espaço TEU, em Maceió, que compartilharam suas vivências relacionadas aos desafios da maternidade atípica e da inclusão escolar.
Pesquisa reúne relatos sobre maternidade atípica
Segundo a autora, o principal objetivo do estudo foi compreender como a rotina de cuidados influencia a saúde mental das mães e quais estratégias podem favorecer uma rede de apoio mais estruturada.
Os relatos evidenciaram desafios relacionados à sobrecarga de responsabilidades, ao acesso aos serviços especializados e à necessidade de acolhimento durante o processo de acompanhamento das crianças com TEA. A pesquisa também analisou como esses fatores podem influenciar a participação das famílias na vida escolar e no desenvolvimento infantil.
De acordo com Dayse Isabel Coelho Paraíso Belém, a escuta das participantes foi fundamental para compreender diferentes experiências vividas por mães de crianças autistas e identificar aspectos que podem contribuir para aprimorar práticas de acolhimento em diferentes contextos.
E-book orienta profissionais e famílias sobre saúde mental na maternidade atípica
Como produto da pesquisa, foi elaborado um e-book gratuito com orientações direcionadas a profissionais da educação, equipes de saúde e familiares.
O material apresenta estratégias voltadas ao fortalecimento da inclusão escolar, destacando a importância da atuação integrada entre professores, gestores, equipes pedagógicas e profissionais da saúde.
Entre os temas abordados estão o acolhimento das famílias, a comunicação entre escola e responsáveis, a construção de redes de apoio e a valorização da participação dos familiares no processo educacional das crianças com TEA.
Segundo a pesquisa, o ambiente escolar pode contribuir para uma inclusão mais efetiva quando diferentes profissionais atuam de forma articulada e compartilham responsabilidades relacionadas ao acompanhamento dos estudantes.
Além das orientações para o ambiente escolar, o material também destaca a importância da comunicação contínua entre família e equipe pedagógica. Segundo a pesquisa, o compartilhamento de informações sobre as necessidades da criança pode favorecer o planejamento de estratégias mais adequadas para o acompanhamento educacional e o fortalecimento da rede de apoio.
Estudo amplia discussão sobre saúde mental
A orientadora da pesquisa, professora Deise Juliana Francisco, destacou a importância de desenvolver estudos que abordem simultaneamente saúde mental, educação inclusiva e maternidade atípica.
A coordenadora do Programa de Pós-graduação Profissional em Educação Especial, professora Neiza Fumes, também ressaltou a relevância da pesquisa para ampliar o debate sobre o suporte oferecido às famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista.
Além de reunir evidências acadêmicas, o estudo disponibiliza um material de consulta destinado a profissionais e familiares interessados em compreender melhor os desafios enfrentados durante a maternidade atípica e o processo de inclusão escolar.
A pesquisa reforça que o cuidado voltado às crianças com TEA também envolve o acompanhamento das famílias, especialmente diante das demandas emocionais e organizacionais presentes na rotina. Ao reunir relatos, orientações práticas e evidências científicas, o trabalho amplia o debate sobre saúde mental na maternidade atípica e contribui para disseminar informações que podem subsidiar futuras ações nas áreas da educação especial e da saúde.








