Projeto desenvolvido por alunos da Etec Lauro Gomes utiliza inteligência artificial para facilitar a comunicação entre pessoas surdas e ouvintes.
Três estudantes da Escola Técnica Estadual (Etec) Lauro Gomes, no ABC Paulista, desenvolveram um software capaz de converter sinais da Língua Brasileira de Sinais (Libras) em texto. A iniciativa utiliza inteligência artificial e aprendizado de máquina para ampliar a acessibilidade e facilitar a comunicação entre pessoas surdas e ouvintes.
O projeto foi criado pelos alunos Luciano dos Anjos Oliveira, Vinícius Luciano Navarrete da Silva e Fabrício Holanda de Almeida como trabalho de conclusão do curso de Desenvolvimento de Sistemas.
A proposta surgiu a partir da experiência pessoal de Luciano, que enfrentou desafios de comunicação ao longo da vida devido a um lábio leporino. A vivência despertou o interesse em desenvolver soluções tecnológicas voltadas à inclusão.
“Sempre quis ajudar outras pessoas através da tecnologia. Sentir na pele as dificuldades me motivou a criar algo que pudesse facilitar a vida de quem enfrenta barreiras na comunicação”, relatou o estudante.
Tecnologia utiliza inteligência artificial e reconhecimento de gestos
Para desenvolver a ferramenta, os estudantes utilizaram aprendizado de máquina e a biblioteca MediaPipe, criada pelo Google para reconhecimento de movimentos e gestos.
Segundo os desenvolvedores, mais de 20 mil vídeos foram utilizados no treinamento do sistema. Parte desse material foi produzida pela própria equipe, enquanto outros conteúdos foram obtidos em plataformas públicas de compartilhamento de vídeos.
A análise desse conjunto de dados permitiu identificar padrões dos sinais utilizados em Libras, possibilitando sua conversão em texto por meio do software.
Reconhecida oficialmente no Brasil desde 2002, a Língua Brasileira de Sinais é o principal meio de comunicação da comunidade surda brasileira e desempenha papel fundamental na promoção da acessibilidade e da inclusão social.
Desenvolvimento enfrentou desafios durante a pandemia
O projeto começou a ser idealizado em 2019, mas o desenvolvimento técnico teve início em 2020. Durante esse período, a equipe precisou superar dificuldades relacionadas à pandemia e à limitação de recursos tecnológicos.
Segundo Luciano, apenas um dos integrantes possuía equipamento com capacidade suficiente para executar os processos necessários ao treinamento dos modelos de inteligência artificial.
Enquanto ele ficou responsável pela programação, os demais integrantes atuaram na análise de dados, documentação e desenvolvimento da interface do sistema.
“O projeto exigiu muito esforço e dedicação de toda a equipe. Houve períodos em que trabalhamos intensamente para cumprir os prazos e alcançar os resultados esperados”, afirmou.
Projeto recebe reconhecimento em feiras científicas
O trabalho ganhou destaque na 1ª Feira Científica STEAM do Grande ABC, onde conquistou o primeiro lugar. A iniciativa também obteve reconhecimento na 19ª edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), ficando entre os projetos mais votados pelo público.
Para o professor orientador Cleiton Fabiano Patricio, o diferencial da proposta está na combinação entre conhecimento técnico e impacto social.
“Trabalhar com inteligência artificial exige dedicação e constante aprendizado. O grupo conseguiu aplicar tecnologia a uma necessidade real da sociedade, criando uma solução com potencial de ampliar a acessibilidade”, destacou.
Próximos passos incluem tradução para áudio
Os estudantes continuam aprimorando o sistema com o objetivo de ampliar a base de dados e aumentar a precisão do reconhecimento dos sinais.
Entre as próximas metas está a implementação de recursos capazes de converter automaticamente Libras em áudio, inicialmente em português.
A expectativa é que a tecnologia possa futuramente ser utilizada em ambientes como escolas, hospitais, repartições públicas e sistemas de transporte, contribuindo para reduzir barreiras de comunicação e ampliar a inclusão de pessoas surdas.
Mais do que um projeto acadêmico, a iniciativa demonstra como a tecnologia pode ser aplicada para desenvolver soluções acessíveis e atender demandas reais da sociedade, fortalecendo a comunicação e promovendo maior inclusão em diferentes espaços sociais.








