No mês dedicado à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o chamado Abril Azul reforça um aspecto muitas vezes negligenciado no cuidado com essa população: a alimentação. Estudos recentes indicam que padrões alimentares restritivos, comuns entre pessoas com autismo, podem levar a deficiências nutricionais importantes, mesmo quando não há sinais aparentes de desnutrição.
A seletividade alimentar — caracterizada pela recusa de determinados alimentos ou grupos alimentares — é frequente entre crianças com TEA. Essa limitação pode resultar em dietas pouco variadas, com baixa ingestão de nutrientes essenciais. Em muitos casos, há rejeição a frutas, vegetais e proteínas específicas, o que compromete o equilíbrio nutricional necessário ao desenvolvimento saudável.
Levantamentos científicos apontam que deficiências de vitaminas e minerais como A, complexo B, D, ferro e cálcio estão entre as mais recorrentes nesse público. Mesmo crianças com peso considerado adequado podem apresentar carências nutricionais significativas. Em parte dos casos analisados, foi identificada a presença simultânea de duas ou mais deficiências, o que evidencia a complexidade do quadro alimentar.
Entre os impactos mais preocupantes está a deficiência de cálcio e vitamina D, frequentemente associada à baixa ingestão de laticínios. Essa condição pode afetar diretamente a saúde óssea, favorecendo o surgimento de problemas como enfraquecimento dos ossos e alterações no crescimento. Já a ausência de vitamina A na dieta, nutriente importante para a visão e o sistema imunológico, também chama atenção, especialmente pela exclusão de alimentos como vegetais verdes, ovos e peixes.
A falta de ferro é outro ponto de alerta, pois pode interferir no desenvolvimento físico e cognitivo. Em alguns casos, essa deficiência aparece associada à ingestão insuficiente de vitamina C, que é fundamental para a absorção do mineral pelo organismo.
Diante desse cenário, especialistas destacam a importância de acompanhamento nutricional regular para pessoas com TEA. A avaliação periódica permite identificar precocemente possíveis deficiências e orientar intervenções adequadas. Estratégias como a introdução gradual de novos alimentos, adaptação de texturas e repetição da exposição alimentar podem contribuir para ampliar o repertório alimentar.
Quando necessário, a suplementação nutricional pode ser indicada, sempre de forma individualizada. O objetivo é garantir que o organismo receba os nutrientes essenciais para o desenvolvimento, respeitando as particularidades de cada pessoa.
O debate ganha força durante o Abril Azul, ao evidenciar que a alimentação equilibrada é parte fundamental do cuidado com o autismo. A atenção a esse aspecto pode impactar diretamente a qualidade de vida, o crescimento e o bem-estar de pessoas dentro do espectro.








