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Doenças crônicas na pandemia tiveram queda nos registros, aponta estudo

Pesquisa publicada na JAMA Internal Medicine indica que a redução nos diagnósticos durante a pandemia está relacionada à menor procura por atendimento médico, e não à diminuição das doenças.
Imagem ilustrativa gerada por IA mostrando um atendimento médico durante a pandemia de Covid-19, relacionada ao impacto das doenças crônicas na pandemia.
Imagem ilustrativa gerada por IA representa um atendimento médico durante o período da pandemia de Covid-19 e seus impactos no acompanhamento de doenças crônicas — Imagem: IA

As doenças crônicas na pandemia apresentaram uma redução significativa nos registros médicos, mas isso não significa que houve melhora na saúde da população. É o que aponta um estudo publicado na revista científica JAMA Internal Medicine, que analisou os impactos da pandemia de Covid-19 sobre o acompanhamento de pacientes, especialmente idosos, e identificou uma queda nos diagnósticos de condições como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).

Segundo os pesquisadores, a principal explicação para essa redução está na diminuição da procura por atendimento médico durante os primeiros anos da pandemia. O receio de contrair o coronavírus levou muitas pessoas a adiar consultas, exames e avaliações clínicas, enquanto diversos serviços de saúde também tiveram atendimentos reduzidos ou temporariamente suspensos.

O estudo alerta que interpretar esses dados como uma melhora nas condições de saúde seria um equívoco. Na avaliação dos autores, a redução dos registros reflete mudanças no acesso aos serviços de saúde e na rotina de acompanhamento médico, e não necessariamente uma queda real na ocorrência dessas doenças.

Doenças crônicas na pandemia exigem análise cuidadosa dos dados

A pesquisa destaca que a pandemia alterou significativamente a forma como os dados de saúde passaram a ser registrados e interpretados. A interrupção de consultas presenciais e o adiamento de exames reduziram a identificação de diversas doenças crônicas, criando lacunas importantes nos prontuários médicos.

Esse cenário exige cautela por parte de pesquisadores e gestores públicos ao comparar indicadores coletados antes e depois da pandemia. Segundo os autores, utilizar esses registros sem considerar o contexto pode gerar interpretações equivocadas sobre a prevalência das doenças e a eficácia de políticas públicas voltadas à saúde.

Os resultados reforçam que os números observados durante esse período precisam ser analisados à luz das mudanças provocadas pela emergência sanitária.

Estudo aponta influência do chamado viés de sobrevivência

Outro aspecto destacado pelos pesquisadores foi a alteração na relação entre algumas doenças crônicas e a mortalidade geral após o período mais crítico da pandemia.

O estudo cita como exemplo o infarto agudo do miocárdio, cuja associação estatística com os óbitos apresentou mudanças quando comparados os dados de 2019 e de 2022. Uma das hipóteses levantadas é a ocorrência do chamado “viés de sobrevivência”, fenômeno que pode alterar a composição da população analisada após eventos de grande impacto, como a pandemia.

Essa condição reforça a necessidade de interpretar os dados epidemiológicos considerando as características específicas do período analisado.

Atendimento médico continua sendo fundamental

Os pesquisadores também destacam a importância de restabelecer o acompanhamento regular de pessoas com doenças crônicas, principalmente entre a população idosa.

A realização de consultas periódicas, exames preventivos e monitoramento contínuo continua sendo essencial para identificar precocemente alterações de saúde e reduzir complicações associadas a doenças cardiovasculares e outras condições crônicas.

O estudo ressalta ainda que campanhas de conscientização e estratégias que ampliem o acesso aos serviços de saúde podem contribuir para reduzir o impacto causado pela interrupção do acompanhamento durante a pandemia.

Telemedicina e acompanhamento podem reduzir impactos

Entre as alternativas apontadas para ampliar o acesso aos cuidados médicos está a utilização da telemedicina, que ganhou espaço durante a pandemia como forma de manter o acompanhamento de pacientes sem necessidade de deslocamentos frequentes.

Embora não substitua completamente as consultas presenciais, o atendimento remoto pode facilitar o monitoramento de pacientes com doenças crônicas, especialmente daqueles que apresentam dificuldades de mobilidade ou vivem em regiões com acesso limitado aos serviços especializados.

Os resultados do estudo reforçam que a reorganização da assistência à saúde após a pandemia exige análise criteriosa dos dados e estratégias voltadas à retomada do acompanhamento médico regular. Para os pesquisadores, compreender corretamente os efeitos indiretos da Covid-19 é fundamental para orientar futuras políticas públicas e aprimorar o cuidado destinado às pessoas com doenças crônicas.

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