Medicamento chega ao mercado brasileiro com nova dosagem de 7,2 mg e preço inferior ao de concorrentes já disponíveis no país.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a comercialização do Poviztra, novo medicamento à base de semaglutida indicado para o tratamento da obesidade. A autorização inclui uma dosagem ampliada de 7,2 mg por semana, considerada uma alternativa para pacientes que não alcançaram os resultados esperados com a dose convencional de 2,4 mg.
A atualização foi publicada pela Anvisa em 1º de junho de 2026 e representa mais uma opção terapêutica para o enfrentamento da obesidade, condição reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das principais questões de saúde pública da atualidade.
O que é o Poviztra?
O Poviztra é um medicamento da classe dos agonistas do receptor GLP-1, mesma categoria utilizada por tratamentos amplamente conhecidos para controle do peso corporal e do diabetes tipo 2.
A substância ativa, a semaglutida, atua promovendo maior sensação de saciedade, redução do apetite e melhora do controle glicêmico, contribuindo para a perda de peso quando associada a mudanças nos hábitos alimentares e à prática regular de atividades físicas.
Nova dosagem apresentou resultados superiores
A principal novidade da aprovação está na inclusão da dose semanal de 7,2 mg, destinada a pacientes que não obtiveram resposta satisfatória com a dosagem padrão.
Dados dos estudos clínicos STEP UP indicaram que participantes tratados com 7,2 mg apresentaram perda média de peso de 18,7% do peso corporal, enquanto aqueles que utilizaram a dose de 2,4 mg registraram redução média de 15,6%.
Os resultados reforçam o potencial da nova dosagem para ampliar a eficácia do tratamento em casos selecionados, sempre sob acompanhamento médico especializado.
Diferença de preço em relação ao Wegovy
Outro aspecto que chama atenção é o valor do medicamento.
Enquanto o Wegovy, também baseado em semaglutida, pode alcançar preços próximos de R$ 1.749 por aplicação mensal, o Poviztra chega ao mercado brasileiro com valor estimado em R$ 1.444, oferecendo uma alternativa mais acessível para parte dos pacientes.
Especialistas destacam que a ampliação da concorrência tende a favorecer o acesso aos tratamentos para obesidade, uma vez que o custo ainda é considerado uma das principais barreiras para muitos brasileiros.
Uso exige acompanhamento médico
Apesar dos resultados promissores, a Anvisa ressalta que a utilização da dose de 7,2 mg deve ser individualizada e realizada exclusivamente sob orientação médica.
A decisão de aumentar a dosagem deve considerar fatores como resposta clínica, histórico do paciente e possíveis efeitos adversos.
Entre os eventos mais frequentemente observados estão náuseas, vômitos, desconforto abdominal e alterações gastrointestinais, sintomas já conhecidos nos tratamentos à base de semaglutida.
Por esse motivo, o acompanhamento profissional contínuo é considerado fundamental para garantir a segurança e a eficácia do tratamento.
Obesidade segue como desafio de saúde pública
A obesidade está associada a diversas condições crônicas, incluindo diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, apneia do sono e problemas articulares.
Segundo especialistas, o avanço de novas terapias representa um importante reforço às estratégias de controle da doença, que afeta milhões de brasileiros e gera impactos significativos na qualidade de vida e nos sistemas de saúde público e privado.
A chegada do Poviztra amplia o leque de opções disponíveis para médicos e pacientes, fortalecendo o tratamento da obesidade como uma condição médica que exige abordagem multidisciplinar, acompanhamento contínuo e acesso a terapias seguras e eficazes.








