Por Bianca Cabral (*)
Uma das críticas que aparecem com frequência quando se fala sobre a terapia ABA é a afirmação de que essa abordagem poderia “robotizar” crianças autistas. Essa ideia costuma surgir principalmente em debates nas redes sociais ou em discussões sobre diferentes formas de intervenção no autismo. Diante disso, muitas famílias acabam se perguntando se essa crítica corresponde à realidade da prática terapêutica.
Para compreender essa questão, é importante observar como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) se desenvolveu ao longo do tempo. Nas primeiras décadas de utilização dessa abordagem, muitas intervenções eram realizadas por meio de atividades altamente estruturadas, com repetição de tarefas e exercícios específicos voltados para o ensino de determinadas habilidades.
Essas práticas contribuíram para importantes avanços científicos no entendimento da aprendizagem e do desenvolvimento de crianças autistas. No entanto, também geraram questionamentos sobre a rigidez de algumas intervenções utilizadas naquela época.
Com o passar dos anos, a própria ABA passou por transformações importantes. Atualmente, muitas intervenções utilizam modelos mais naturalistas, nos quais o ensino acontece em contextos do cotidiano, como durante brincadeiras, interações sociais e atividades comuns do dia a dia da criança.
Nesses contextos, os profissionais buscam utilizar os interesses da própria criança como ponto de partida para o ensino de novas habilidades. Dessa forma, o processo de aprendizagem se torna mais significativo e integrado à rotina.
Outro ponto importante é que a intervenção baseada em ABA não tem como objetivo padronizar comportamentos ou eliminar características individuais da criança. O foco está no desenvolvimento de habilidades que favoreçam autonomia, comunicação e participação social.
Quando aplicada de forma ética, atualizada e supervisionada, a abordagem busca ampliar as possibilidades de interação da criança com o mundo ao seu redor, respeitando suas particularidades e seu ritmo de desenvolvimento.
Assim, a ideia de que a ABA “robotiza” crianças costuma estar mais associada a interpretações equivocadas ou a práticas antigas que já foram amplamente revisadas dentro da própria área. A intervenção contemporânea procura justamente favorecer o desenvolvimento de forma natural, significativa e respeitosa.








