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Canetas emagrecedoras: SUS prepara oferta para pacientes com obesidade

Canetas emagrecedoras no SUS
Canetas emagrecedoras no SUS. Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

As canetas emagrecedoras poderão ser oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com obesidade, mas a distribuição ainda depende da definição de critérios e de um protocolo clínico. O Ministério da Saúde está avaliando o uso desses medicamentos em pacientes da rede pública para estabelecer como o tratamento poderá ser disponibilizado de forma segura e para quais grupos haverá indicação.

Os medicamentos avaliados pertencem à classe dos agonistas do receptor GLP-1, que inclui substâncias como a semaglutida. Apesar de já existirem medicamentos dessa classe registrados no Brasil, as canetas emagrecedoras ainda não fazem parte da oferta regular do SUS para tratamento da obesidade. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) também analisa a incorporação da semaglutida.

Como será o estudo com canetas emagrecedoras no SUS?

Desde junho, o Ministério da Saúde acompanha pacientes com obesidade no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, por meio do estudo chamado Real-Bari.

A pesquisa utiliza a semaglutida e prevê o acompanhamento de cerca de 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras doenças. O objetivo é avaliar aspectos clínicos, operacionais e econômicos do tratamento e reunir informações para a elaboração de um protocolo de atendimento.

Um dos grupos observados é formado por pacientes que estão na fila para cirurgia bariátrica. Os pesquisadores querem verificar se o tratamento com semaglutida consegue controlar a obesidade em parte desses pacientes e, eventualmente, reduzir a necessidade de cirurgia.

O estudo também acompanha possíveis efeitos do tratamento em pessoas com obesidade e problemas cardiovasculares e em mulheres que já tiveram câncer de mama, incluindo a avaliação de uma possível redução do risco de retorno da doença. Essas questões ainda estão em investigação e não significam que o medicamento tenha esses efeitos comprovados para todos os pacientes.

Primeiro paciente apresentou perda de peso

O Ministério da Saúde divulgou os primeiros resultados do uso da semaglutida dentro do estudo no GHC. Segundo o ministro Alexandre Padilha, o primeiro paciente tratado estava na fila para cirurgia bariátrica e perdeu seis quilos, além de apresentar redução da circunferência corporal.

O ministério também relatou que o paciente informou ter mudado alguns hábitos após o início do tratamento, como sair mais de casa e praticar atividade física. Esse relato, porém, corresponde à evolução de um paciente e não permite concluir que os mesmos resultados serão observados em todo o grupo.

Por isso, o acompanhamento dos demais participantes será importante para entender a resposta ao tratamento em diferentes perfis de pacientes.

Quem poderá receber canetas emagrecedoras pelo SUS?

Ainda não há uma lista definitiva de pessoas que poderão receber as canetas emagrecedoras gratuitamente em todo o país.

O Ministério da Saúde afirma que o objetivo é criar um protocolo que estabeleça critérios para o uso dos medicamentos. Esse tipo de protocolo define quais pacientes podem receber determinada tecnologia, além das condições de tratamento e acompanhamento.

A proposta é priorizar pessoas que realmente tenham indicação médica para o tratamento da obesidade, e não utilizar os medicamentos apenas para fins estéticos.

Segundo o ministro Alexandre Padilha, a intenção é disponibilizar os medicamentos no SUS de forma responsável, após a avaliação dos estudos e a definição dos critérios de acompanhamento.

Como funcionam as canetas emagrecedoras?

As canetas emagrecedoras avaliadas pelo Ministério da Saúde pertencem ao grupo dos agonistas do receptor GLP-1.

Esses medicamentos imitam a ação de um hormônio produzido pelo organismo e podem aumentar a sensação de saciedade, além de reduzir a ingestão de alimentos. A semaglutida é um dos princípios ativos dessa classe.

No Brasil, diferentes medicamentos à base de semaglutida já receberam registro da Anvisa. Em julho de 2026, a agência aprovou cinco novos medicamentos com essa substância, ampliando a oferta no mercado.

O registro sanitário, no entanto, é diferente da incorporação ao SUS. Um medicamento pode estar autorizado para comercialização no país sem estar disponível gratuitamente na rede pública.

Canetas emagrecedoras já estão disponíveis no SUS?

Neste momento, não de forma ampla para o tratamento da obesidade. O que existe é um estudo do Ministério da Saúde com pacientes selecionados no Grupo Hospitalar Conceição e o processo de avaliação para definir uma possível oferta nacional.

O ministério afirma que pretende transformar o uso das canetas emagrecedoras em uma opção de tratamento dentro do SUS, mas isso depende da conclusão das avaliações e da definição do protocolo clínico.

Enquanto essa etapa não termina, pacientes não devem considerar que o medicamento já pode ser retirado gratuitamente nas unidades de saúde de todo o Brasil.

A estratégia faz parte de um movimento mais amplo para ampliar o acesso aos medicamentos contra obesidade. Além do estudo clínico, o governo vem estimulando a produção nacional e a entrada de novos medicamentos no mercado, com o objetivo de aumentar a concorrência e reduzir os preços.

A possível incorporação das canetas emagrecedoras ao SUS, portanto, ainda está em fase de avaliação. Os resultados do estudo com os pacientes serão usados para definir como esses medicamentos poderão ser empregados na rede pública e quais pessoas terão indicação para o tratamento.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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