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Quase 3 em cada 10 crianças e adolescentes têm hipertensão, aponta levantamento

Hipertensão em crianças e adolescentes
Hipertensão em crianças e adolescentes. Imagem: Thirdman/Pexels
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

A hipertensão em crianças e adolescentes foi identificada em quase três de cada dez estudantes avaliados em escolas de três estados brasileiros. O levantamento do projeto Brasil Coração Saudável também encontrou excesso de peso em cerca de um terço dos participantes e mostrou que a pressão alta foi mais frequente entre aqueles com obesidade.

A pesquisa analisou 6.092 crianças e adolescentes de 38 escolas de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo, entre junho e outubro de 2026. Do total, 28,3% foram classificados com hipertensão e 11,6% com pré-hipertensão.

Os resultados  de hipertensão em crianças também apontaram uma associação entre excesso de peso e alterações na pressão arterial. Entre os participantes de 7 a 18 anos com obesidade, 48,4% apresentaram hipertensão. Já entre aqueles com peso considerado adequado, o percentual foi de 22,6%.

Os dados são descritivos e se referem aos estudantes avaliados. Portanto, não representam necessariamente a situação de todas as crianças e adolescentes brasileiros. Além disso, o levantamento não detalha o protocolo de confirmação dos casos, e as classificações não devem ser interpretadas automaticamente como diagnósticos clínicos definitivos.

Hipertensão em crianças e adolescentes chega a 60,5% entre os que têm obesidade

A relação entre peso e pressão arterial ficou ainda mais evidente entre os adolescentes de 15 a 18 anos. Nesse grupo, 60,5% dos participantes com obesidade foram classificados com hipertensão, contra 32,6% daqueles com sobrepeso e 23,4% dos que tinham peso adequado.

A diferença também apareceu entre os estudantes de 11 a 14 anos. Nessa faixa etária, a hipertensão foi identificada em 47,9% dos participantes com obesidade, enquanto o percentual foi de 18,9% entre aqueles com peso adequado.

Entre as crianças de 7 a 10 anos, as proporções foram de 46,4% e 25,8%, respectivamente.

Os resultados mostram que a frequência de pressão alta foi maior entre os estudantes com obesidade em todas as faixas etárias analisadas. No entanto, por se tratar de uma análise descritiva, os dados não permitem afirmar que o excesso de peso seja a causa direta da hipertensão em crianças e adolescentes.

Meninos apresentam índices elevados de pressão alta

A análise também identificou diferenças conforme a idade e o sexo dos estudantes.

Entre os meninos de 15 a 18 anos, 40,7% foram classificados com hipertensão. Entre as meninas da mesma faixa etária, o percentual foi de 28,6%.

Outro resultado que chamou a atenção foi o índice entre meninos menores de 7 anos: 39,1% apresentaram hipertensão, contra 30,2% das meninas da mesma idade.

A pré-hipertensão também foi identificada no levantamento, atingindo 12,6% dos meninos e 10,7% das meninas. Entre os meninos de 15 a 18 anos, o percentual chegou a 21,9%.

A classificação utilizada na pesquisa reuniu os estágios 1 e 2 da hipertensão. Os resultados reforçam a importância de acompanhar a pressão arterial durante a infância e a adolescência, com avaliação profissional adequada para cada idade.

Excesso de peso atinge um terço dos estudantes

Além das alterações na hipertensão em crianças e adolescentes, o levantamento identificou excesso de peso em 33,1% dos participantes. Desse total, 19,5% apresentaram sobrepeso e 13,6% tinham obesidade, incluindo a forma grave.

A obesidade foi mais frequente entre os meninos, atingindo 15,6%, enquanto entre as meninas o percentual foi de 11,9%.

O sobrepeso, por sua vez, apareceu com maior frequência entre as meninas de 11 a 14 anos, grupo em que 24% apresentaram essa condição. Entre os meninos da mesma idade, o índice foi de 17,8%.

A pesquisa também avaliou medidas corporais relacionadas à distribuição de gordura. Entre os participantes, 17,4% apresentaram relação cintura/altura superior a 0,5, indicador utilizado para avaliar o acúmulo de gordura abdominal.

Nesse grupo, 40,6% foram classificados com hipertensão, contra 24,4% entre aqueles com relação cintura/altura dentro do limite considerado adequado pelo levantamento.

Quase 60% passam três horas ou mais por dia diante de telas

O tempo de exposição a dispositivos eletrônicos também foi avaliado. Segundo as respostas de 6.075 estudantes, 59% passavam pelo menos três horas por dia diante de telas fora do ambiente escolar.

A média foi de 3,8 horas diárias. O celular foi o dispositivo mais citado, mencionado por 86% dos participantes, seguido pela televisão, com 80%.

A pesquisa também investigou a prática de atividade física na escola. Entre os estudantes avaliados nesse quesito, 93% disseram praticar alguma atividade. No entanto, 66,1% daqueles que realizavam exercícios dedicavam apenas uma a duas horas semanais a essas atividades.

Os dados não comprovam que o tempo diante das telas ou a quantidade de atividade física tenham causado as alterações na hipertensão em crianças observadas no grupo.

Estresse também aparece entre os indicadores avaliados

O levantamento analisou a percepção de estresse em casa, na escola e na sociedade. Os resultados mostraram que 12,7% dos participantes relataram níveis intensos ou exagerados de estresse em casa, enquanto 12,5% deram a mesma resposta em relação à escola.

Na avaliação do estresse relacionado à sociedade, o percentual foi de 6,3%.

A pesquisa não estabeleceu uma relação direta entre esses relatos e os indicadores cardiovasculares identificados entre os estudantes.

Os resultados do projeto Brasil Coração Saudável mostram a importância de acompanhar a saúde cardiovascular desde a infância. A medição da pressão arterial, a atenção ao peso e a adoção de hábitos saudáveis podem contribuir para identificar fatores de risco e orientar os cuidados necessários.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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