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Desenvolvimento infantil exige consistência e vínculo além da pressa por resultados

O desafio não seja acelerar o processo, mas aprender a sustentá-lo – Foto: Arquivo

Por Ezequiel Reis (*)

Vivemos um tempo em que tudo precisa acontecer rápido. Resultados imediatos, respostas prontas, mudanças visíveis em pouco tempo. Esse ritmo, que atravessa a sociedade, também chega ao setting terapêutico e, muitas vezes, entra em conflito com a própria natureza do desenvolvimento humano.

Na psicomotricidade, trabalhamos com o corpo, com o vínculo e com processos que não se revelam de forma instantânea. O que está em jogo não é apenas o comportamento que aparece, mas a organização interna que sustenta esse comportamento. E isso exige tempo, consistência e, principalmente, compreensão.

Um dos maiores desafios na prática clínica atualmente é justamente a expectativa por resultados rápidos, somada à dificuldade de entendimento sobre onde e como a psicomotricidade atua no desenvolvimento da criança. Muitas famílias chegam em busca de mudanças comportamentais imediatas, sem perceber que, antes disso, é necessário construir bases: segurança, regulação, organização corporal e vínculo.

Quando esse processo não é compreendido, surgem ruídos. O trabalho realizado no setting terapêutico perde força quando não encontra continuidade em casa ou nos demais ambientes em que a criança está inserida. Não se trata de apontar falhas, mas de reconhecer que o desenvolvimento é um processo compartilhado.

Impor limites apenas durante a sessão, sem um alinhamento com a família, tende a gerar resultados frágeis. A criança vive contextos diferentes e aprende a se organizar a partir da coerência entre eles. Quando há ruptura entre o que é proposto na terapia e o que é vivido fora dela, o processo se fragmenta.

Por outro lado, quando há parceria, confiança e abertura para compreender o caminho terapêutico, os avanços acontecem de forma mais sólida. A família deixa de ser apenas expectadora e passa a ser parte ativa do processo de desenvolvimento.

A psicomotricidade não atua apenas no que é visível. Ela acessa camadas mais profundas da organização do sujeito, muitas vezes imperceptíveis a um olhar mais apressado. Por isso, seus efeitos não podem ser medidos apenas pela rapidez, mas pela consistência das mudanças ao longo do tempo.

Talvez o desafio não seja acelerar o processo, mas aprender a sustentá-lo. E, nesse caminho, construir uma relação de confiança entre terapeuta, criança e família é tão importante quanto qualquer técnica aplicada.

Desenvolver não é apenas mudar o comportamento. É reorganizar o modo de estar no mundo. E isso, definitivamente, não acontece com pressa.

(*) Ezequiel Reis é educador, capoeirista e atua com práticas psicomotoras no acompanhamento de crianças e adolescentes, com foco em neurodiversidade, corpo e aprendizagem. Atualmente cursa Pedagogia, aprofundando sua atuação no desenvolvimento humano por meio do movimento e do vínculo

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