Na tranquila Pracinha João Bosco, no bairro Imbaúbas, em Ipatinga, um ato de solidariedade e compaixão se desenrola semanalmente. Um grupo de mulheres, unidas pela vontade de ajudar, se reúne com um objetivo claro: confeccionar agasalhos, como toucas, meias e sapatos, destinados a pacientes de hemodiálise e crianças internadas em hospitais da região. Essa iniciativa não é só uma atividade criativa; é um compromisso profundo com a comunidade, um testemunho do impacto que pequenas ações podem ter na vida de muitas pessoas.
O projeto é liderado por Zezé Nunis, que, com quinze anos de experiência, tem visto em primeira mão o bem que seu trabalho proporciona. Durante uma conversa, Zezé expressou sua dificuldade em quantificar exatamente o número de pessoas beneficiadas, uma vez que as doações variam conforme a produção do grupo. “Esse ano, temos 457 pacientes de hemodiálise. Quanto às crianças na enfermaria, é difícil dizer, pois há um movimento constante de entrada e saída de pacientes. É um trabalho que não tem férias; nossa missão é contínua”, destacou.
As voluntárias se reúnem todas as quartas-feiras, mas o grupo presencial sofreu uma diminuição ao longo do tempo. Algumas participantes ainda produzem em casa, evidenciando que o comprometimento com a causa ultrapassa a barreira do encontro físico semanal. Além das moradoras do Imbaúbas, mulheres de outras localidades, como Santana do Paraíso, também se juntaram à causa, ampliando o alcance do trabalho.
A importância da solidariedade e da terapia
É notável como essa atividade manual transcende a mera produção de agasalhos a cada encontro. Para Maria Imaculada Barbosa Pinheiro, parte integrante do grupo, há um valor terapêutico nesse esforço coletivo. “A importância desse trabalho é ajudar as pessoas carentes e também nos ajudar. Enquanto tricotamos, para nossa mente é muito importante. É algo que traz utilidade e amor, tanto para nós quanto para aqueles que receberão os trabalhos”, comentou.
Dora Jorge, outra voluntária, compartilhou uma perspectiva semelhante, ressaltando o papel do tricô na promoção do bem-estar mental: “Saber que estamos fazendo algo para ajudar alguém torna tudo melhor. Precisamos de pessoas dispostas a ajudar e a doar, pois há sempre quem necessite”. Essa interação social e emocional, dentro do contexto do trabalho manual, revela uma dinâmica poderosa de recuperação e apoio emocional entre as participantes.
Apesar do significativo impacto produzido, o grupo enfrenta desafios constantes. A arrecadação de materiais e doações financeiras é essencial para que o trabalho possa prosseguir. Atualmente, Zezé enfatiza a necessidade de novos voluntários e doações. “Estamos sempre buscando material, mas o que precisamos realmente é de mais mãos para ajudar. Estamos pedindo ajuda de amigos e familiares”, disse. Essa fomenta um ciclo de apoio comunitário que é fundamental para a continuidade do projeto.
O desejo de expandir essa rede de solidariedade é óbvio. Zezé, que lidera com amor e determinação, se mostra otimista em relação ao futuro. Com a ajuda certa, a capacidade do grupo de gerar impactos ainda maiores nas vidas das pessoas assistidas pode aumentar substancialmente.
O envolvimento comunitário é um aspecto crucial da iniciativa. Tanto o suporte de doações quanto a participação de novos voluntários oferecem uma oportunidade para muitas pessoas se unirem em prol de uma causa comum. Não se trata apenas de agasalhos, mas de um gesto de humanidade e cuidado com o próximo. Para Zezé e as voluntárias, cada agasalho é mais que um item de roupa; é um símbolo de carinho e solidariedade.
Como apoiar a causa
Para aqueles que desejam se engajar ou contribuir, o grupo está sempre aberto a novas colaborações. Interessados podem fazer doações de material ou participar do trabalho voluntário, e para isso, é possível entrar em contato pelo telefone (31) 8855-1376 ou realizar transferências via Pix, utilizando a chave 61527300668, que pertence a Geralda Silva Nunis, responsável pela conta na Caixa Econômica Federal.
A consciência coletiva em torno do bem-estar social e do cuidado com os vulneráveis é fundamental. A ação realizada por essas mulheres na praça é uma poderosa mensagem de que pequenas ações podem gerar grandes mudanças. Essa iniciativa não apenas aquece fisicamente aqueles que a recebem, mas também aquece espiritualmente quem participa, promovendo um ciclo de amor e solidariedade que invade a comunidade. No fundo, o que essas mulheres fazem vai além da lã e agulhas: elas estão tecendo uma rede de esperança e compaixão em um mundo que muitas vezes parece frio e indiferente.
Em tempos de necessidade, é a empatia e a solidariedade que reforçam laços e promovem mudanças. Assim, a história do grupo de mulheres de Imbaúbas se erige como um farol de inspiração e resiliência, um convite à ação para todos nós, a fim de contribuir para um mundo mais acolhedor e justo.








