Atividades lúdicas e acompanhamento atento ajudam a identificar e direcionar o interesse intenso de crianças e adolescentes
O interesse profundo por temas específicos, conhecido como hiperfoco, é comum no desenvolvimento de crianças e adolescentes. No entanto, especialistas alertam para a importância de diferenciar uma paixão saudável de comportamentos que podem sinalizar condições como o TDAH e o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Entre os 2 e 6 anos, é natural que as crianças demonstrem forte atração por assuntos como dinossauros ou planetas. Segundo o psicólogo Marcelo Freitas, essa curiosidade faz parte do amadurecimento cerebral. Na adolescência, esse foco costuma se voltar para áreas como tecnologia, esportes ou artes, auxiliando na construção da identidade do jovem.
O limite entre o saudável e o clínico
O limite entre o interesse comum e o hiperfoco clínico surge quando a concentração em uma única atividade passa a prejudicar tarefas essenciais, como os estudos, o sono e a socialização. A psicopedagoga Carla Litrenta explica que o quadro clínico se destaca pela rigidez e pelo impacto funcional na rotina.
No caso do TDAH, o jovem costuma negligenciar obrigações cotidianas para se concentrar apenas em temas que geram prazer imediato. Já no contexto do autismo, o interesse específico oferece conforto emocional, mas a rigidez do foco pode gerar sofrimento e irritação quando há interrupções.
Parceria entre família e escola
A identificação precoce desses sinais depende de uma colaboração estreita entre os responsáveis e a escola. Educadores desempenham um papel fundamental ao observar dificuldades de interação social ou resistência em mudar de atividade durante as aulas.
A orientadora educacional Caroline Sternberg ressalta que o diálogo ajuda a traçar estratégias de apoio. Em vez de reprimir o entusiasmo, o ideal é propor transições graduais e introduzir novas experiências de forma acolhedora. Quando o isolamento ou o prejuízo escolar são significativos, recomenda-se a avaliação por profissionais de saúde mental para direcionar o suporte terapêutico adequado.








