Atraso na liberação de melatonina desafia a rotina de sono de pessoas com TDAH
Muito além dos sintomas clássicos de desatenção e impulsividade, o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) traz um desafio silencioso: a dificuldade para dormir. Estudos recentes mostram que a insônia associada ao transtorno não é falta de disciplina, mas sim uma consequência neurobiológica direta.
Pesquisas realizadas por centros de referência, como o Karolinska Institutet e a Universidade de Groningen, apontam que cerca de 70% dos adultos com TDAH apresentam um atraso no ritmo circadiano. Esse fenômeno faz com que o cérebro libere a melatonina (o hormônio do sono) mais tarde do que a média da população.
O papel da genética no relógio biológico
A ciência tem avançado na identificação de marcadores genéticos, como as alterações nos genes CLOCK and BMAL1, que regulam o nosso relógio interno. Essa variação genética explica por que tantas crianças e adultos com TDAH sentem um estado de alerta mental justamente no período noturno, dificultando o início do sono.
A privação crônica de sono gera um efeito cascata. Sem o descanso adequado, os sintomas de desatenção, oscilações de humor e ansiedade tornam-se ainda mais intensos no dia seguinte, alimentando um ciclo de desgaste físico e mental.
Estratégias de manejo e cuidado integral
Para romper esse ciclo, especialistas recomendam intervenções que vão além do uso de medicamentos. O tratamento ganha eficácia quando adota uma abordagem multidisciplinar, combinando terapias comportamentais com ajustes práticos na rotina do paciente.
Entre as principais estratégias recomendadas estão:
Terapia de luz matinal: auxilia na regulação e sincronização do ritmo circadiano.
Higiene do sono: redução drástica de estímulos luminosos e eletrônicos à noite.
Suporte terapêutico: acompanhamento para identificar e tratar comorbidades associadas, como a ansiedade.
O entendimento de que as dificuldades de sono no TDAH possuem base biológica é fundamental para afastar estigmas. Promover um ambiente de acolhimento e oferecer suporte especializado são os caminhos mais seguros para garantir mais qualidade de vida e bem-estar aos pacientes.








