A DPOC no inverno exige atenção redobrada de pacientes e familiares. As baixas temperaturas, associadas ao ar mais seco, podem agravar os sintomas da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), aumentando o risco de crises respiratórias e infecções. Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), cerca de 15 milhões de brasileiros convivem com a doença, que compromete a passagem do ar pelos pulmões e exige acompanhamento contínuo.
Durante o inverno, o ressecamento das vias aéreas favorece o acúmulo de secreções e pode intensificar a inflamação pulmonar. Esse cenário torna pessoas com DPOC mais suscetíveis a complicações, principalmente quando o tratamento não é seguido corretamente ou quando há exposição a fatores que irritam o sistema respiratório.
De acordo com a fisioterapeuta respiratória e professora do UniBH, Luana Céfora Godoy Silva, a adoção de medidas preventivas e o acompanhamento profissional contribuem para reduzir os impactos da estação sobre a saúde pulmonar.
DPOC no inverno exige cuidados para reduzir crises respiratórias
Entre as principais recomendações está a fisioterapia respiratória, que auxilia na melhora da ventilação pulmonar, facilita a eliminação de secreções e reduz a sensação de falta de ar. A especialista explica que os exercícios respiratórios devem ser realizados com orientação profissional para garantir segurança e melhores resultados.
Além de fortalecer os músculos envolvidos na respiração, essas técnicas ajudam a manter as vias aéreas mais desobstruídas, favorecendo a qualidade de vida dos pacientes durante os períodos de frio intenso.
Outro recurso importante é a higiene brônquica, realizada com equipamentos específicos que auxiliam na remoção do muco acumulado nos pulmões.
Fisioterapia respiratória contribui para o controle da doença
Entre os dispositivos utilizados no tratamento estão o Shaker e o EPAP. O primeiro produz vibrações que facilitam o desprendimento das secreções, enquanto o segundo mantém pressão positiva durante a expiração, contribuindo para manter os brônquios abertos.
Esses recursos fazem parte das estratégias utilizadas no projeto Pulmões em Movimento, desenvolvido pelo UniBH para oferecer orientação e acompanhamento a pessoas com doenças respiratórias.
Além das técnicas respiratórias, a fisioterapeuta recomenda a prática regular de atividades físicas adaptadas às condições de cada paciente. Exercícios simples, utilizando o peso do próprio corpo, elásticos ou garrafas de água, podem contribuir para fortalecer a musculatura e melhorar a capacidade funcional.
O projeto também disponibiliza materiais educativos para orientar a realização correta dos exercícios em casa, sempre respeitando as limitações individuais.
Hidratação e prevenção ajudam a proteger os pulmões
A hidratação adequada também desempenha papel importante no tratamento. O consumo regular de água contribui para tornar as secreções menos espessas, facilitando sua eliminação e reduzindo o desconforto respiratório.
Outra orientação é evitar a exposição à fumaça de cigarro, poeira, mofo e outros agentes que possam irritar as vias aéreas. Manter os ambientes limpos e com níveis adequados de umidade ajuda a minimizar os efeitos do ar seco característico do inverno.
Os cuidados preventivos incluem ainda a higienização frequente das mãos, evitar contato com pessoas que apresentem sintomas gripais e manter a vacinação atualizada conforme orientação médica. Essas medidas reduzem o risco de infecções respiratórias, que podem provocar agravamento do quadro clínico.
Projeto oferece orientação para pacientes com DPOC
O projeto Pulmões em Movimento, desenvolvido na Clínica de Saúde do UniBH, oferece acompanhamento e orientações voltadas a pessoas com DPOC e outras doenças respiratórias.
A iniciativa busca ampliar o acesso à informação e incentivar hábitos que contribuam para o controle da doença, reunindo atendimento especializado e ações educativas voltadas aos pacientes e seus familiares.
Segundo a especialista, a combinação entre tratamento adequado, acompanhamento profissional e adoção de medidas preventivas permite enfrentar o inverno com mais segurança e reduzir o risco de complicações respiratórias.
Embora a DPOC seja uma doença crônica, a manutenção dos cuidados recomendados pode favorecer o controle dos sintomas e proporcionar melhor qualidade de vida durante todo o ano, especialmente nos períodos de temperaturas mais baixas.








