Terapia CAR-T Cell apresentou uma taxa preliminar de eficácia de 87,5% em um estudo realizado com pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Os resultados foram apresentados na quarta-feira, em São Paulo, pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante um evento sobre pesquisas e investimentos em terapias avançadas para o tratamento de cânceres hematológicos.
Até o momento, 25 pacientes participaram do estudo clínico, que avalia a utilização da terapia em pessoas diagnosticadas com Leucemia Linfoide Aguda B e Linfoma não-Hodgkin B, dois tipos de câncer do sangue considerados agressivos e que podem apresentar resistência aos tratamentos convencionais.
Como funciona a terapia CAR-T Cell
A terapia CAR-T Cell é uma modalidade de terapia gênica que utiliza células de defesa do próprio paciente. Essas células são coletadas, modificadas em laboratório para reconhecer as células cancerígenas e, posteriormente, reinfundidas no organismo para combater a doença.
Segundo as informações apresentadas pelo Ministério da Saúde, parte dos pacientes avaliados apresentou redução significativa da doença e, em alguns casos, ausência de sinais detectáveis dos tumores após o tratamento. Os dados ainda são preliminares e dependem da continuidade dos estudos clínicos e da avaliação dos órgãos reguladores.
O projeto recebeu investimento de R$ 100 milhões do Governo Federal e é desenvolvido em parceria entre o Hemocentro de Ribeirão Preto, a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Butantan.
Atualmente, terapias semelhantes disponíveis em outros países podem custar aproximadamente R$ 500 mil por paciente, tornando a pesquisa nacional uma alternativa para ampliar o acesso a esse tipo de tratamento dentro do SUS.
Próximas etapas da pesquisa
De acordo com o Ministério da Saúde, a expectativa é ampliar o estudo para 81 pacientes até o final do próximo ano.
Antes que a tecnologia possa ser incorporada ao atendimento regular do SUS, será necessário concluir as etapas de pesquisa clínica e obter o registro sanitário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Outro diferencial do projeto é que os vetores utilizados na pesquisa foram desenvolvidos pelo Hemocentro de Ribeirão Preto e pela USP, permitindo que parte da tecnologia seja produzida no Brasil.
A iniciativa também prevê a implantação do Núcleo de Terapia Avançada (Nutera), estrutura destinada à produção nacional desse tipo de terapia.
Além da ampliação do número de participantes, os pesquisadores continuarão acompanhando os pacientes para avaliar a duração da resposta ao tratamento e possíveis efeitos a longo prazo. Esse monitoramento é uma etapa essencial para confirmar a segurança e a eficácia da terapia CAR-T Cell antes de uma eventual incorporação ao atendimento regular do SUS.
Projeto Genomas SUS também recebe investimentos
Durante o mesmo evento, Alexandre Padilha anunciou um investimento de R$ 180 milhões para a segunda etapa do Projeto Genomas SUS.
A iniciativa pretende sequenciar 50 mil genomas de brasileiros para ampliar o conhecimento sobre a diversidade genética da população e apoiar pesquisas voltadas ao desenvolvimento de diagnósticos, medicamentos e tratamentos personalizados.
Segundo o Ministério da Saúde, a base de dados deverá contribuir para pesquisas relacionadas à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento de diferentes doenças, fortalecendo a medicina personalizada no país.
Investimentos também incluem infraestrutura do SUS
Além dos anúncios voltados à pesquisa científica, o Ministério da Saúde informou investimentos destinados ao fortalecimento da rede pública de saúde no estado de São Paulo.
Entre as medidas apresentadas estão a entrega de novas ambulâncias, equipamentos para unidades do SUS, a construção de um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e a autorização para obras de uma policlínica em Ribeirão Preto.
Os investimentos fazem parte das ações anunciadas durante o evento e integram a estratégia do governo para ampliar a estrutura de atendimento e apoiar o desenvolvimento de pesquisas em saúde no Brasil.








