Câncer de pâncreas é uma das formas mais agressivas da doença e, em alguns casos, pode apresentar resposta positiva ao tratamento. É o que demonstra a trajetória de Edgard de Luna, de 50 anos, que completa oito anos sem sinais da doença após passar por diferentes etapas terapêuticas, incluindo quimioterapia, cirurgia e um procedimento para tratar uma recidiva.
O diagnóstico ocorreu quando Edgard tinha 42 anos, após meses de dores abdominais inicialmente associadas a problemas digestivos e musculares. Depois de exames complementares, uma tomografia identificou um adenocarcinoma localizado próximo à artéria mesentérica, exigindo planejamento cuidadoso para o tratamento.
Antes da cirurgia, a equipe médica optou por realizar 12 sessões de quimioterapia neoadjuvante, estratégia utilizada para reduzir o tamanho do tumor e aumentar as chances de remoção cirúrgica.
Esse tipo de tratamento é frequentemente utilizado quando o tumor apresenta características que dificultam a cirurgia imediata. O objetivo é reduzir a extensão da doença e aumentar as possibilidades de retirada completa do câncer, sempre de acordo com a avaliação individual realizada pela equipe médica responsável.
Durante as primeiras sessões, Edgard conseguiu manter parte de sua rotina. Com o avanço do tratamento, passou a apresentar fadiga intensa e outros efeitos colaterais compatíveis com a quimioterapia. Após a conclusão do protocolo, exames apontaram redução suficiente do tumor para realização da cirurgia.
Tratamento para câncer de pâncreas incluiu cirurgia e nova abordagem após recidiva
O procedimento realizado foi uma pancreatoduodenectomia, cirurgia de grande porte que remove parte do pâncreas e estruturas vizinhas comprometidas pela doença. A operação durou quase nove horas e permitiu a retirada do tumor identificado pelos exames.
Cerca de um mês após a cirurgia, exames laboratoriais indicaram elevação de um marcador tumoral. A investigação confirmou uma nova lesão próxima à região operada, caracterizando uma recidiva da doença.
Diante desse cenário, a equipe médica propôs um tratamento por ablação por radiofrequência, técnica minimamente invasiva que utiliza calor para destruir o tecido tumoral.
O procedimento foi realizado com auxílio de tomografia computadorizada para guiar a introdução de um eletrodo até a lesão. Apesar das complicações no período de recuperação e da necessidade de internação, os exames posteriores não identificaram sinais da nova lesão.
A ablação por radiofrequência ainda é indicada em situações específicas e sua utilização depende de critérios clínicos definidos pelos especialistas. A escolha do procedimento considera fatores como localização da lesão, condições gerais do paciente e possibilidades de tratamento disponíveis para cada caso.
Acompanhamento continua após oito anos
Atualmente, Edgard realiza acompanhamento periódico e permanece sem sinais detectáveis de câncer de pâncreas. Entre as consequências permanentes do tratamento está uma neuropatia leve, condição que continua sendo monitorada durante as consultas médicas.
Segundo o relato divulgado sobre o caso, após concluir o tratamento, ele realizou uma viagem com a família para Portugal, cumprindo um objetivo estabelecido durante o período em que enfrentava a doença.
Os médicos responsáveis continuam acompanhando sua evolução clínica e estudando o caso para futuras publicações científicas, considerando o longo período de sobrevida após o tratamento e a resposta obtida mesmo após a recidiva.
O registro de casos com evolução clínica incomum contribui para ampliar o conhecimento sobre a doença e pode auxiliar pesquisadores na avaliação de estratégias terapêuticas. No entanto, especialistas ressaltam que cada paciente apresenta características próprias, o que exige acompanhamento e definição individualizada do tratamento.
Embora o caso tenha chamado a atenção dos especialistas, ele representa uma situação individual. O acompanhamento médico e a resposta aos tratamentos podem variar conforme as características de cada paciente, o estágio da doença e as estratégias terapêuticas adotadas.
A evolução de Edgard reforça a importância do diagnóstico, do acompanhamento especializado e da avaliação individualizada durante todas as etapas do tratamento oncológico.








