Os riscos da ceratopigmentação entraram no debate médico com a popularização da cirurgia para mudança da cor dos olhos nas redes sociais, especialmente entre pessoas interessadas em alterar a aparência sem usar lentes de contato coloridas.
A técnica consiste na inserção de pigmentos na córnea, a camada transparente que fica à frente da íris. Segundo o oftalmologista Tiago César Pereira Ferreira, membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, o procedimento não muda a cor natural dos olhos: ele cria uma pigmentação que mascara a tonalidade original.
Quais são os riscos da ceratopigmentação?
Os riscos da ceratopigmentação estão ligados ao fato da técnica interferir em uma estrutura essencial para a visão. A córnea precisa manter transparência, regularidade e integridade para permitir a entrada adequada de luz no olho.
Assim, quando pigmentos são aplicados nessa região, podem ocasionar diversas sintomas, como:
- Infecções;
- Inflamações;
- Cicatrizes permanentes;
- Dor crônica;
- Sensibilidade intensa à luz;
- Redução da qualidade visual;
- Perda total da visão, em casos graves.
Ferreira afirma que a ceratopigmentação foi criada com finalidade terapêutica, especialmente para pacientes com baixa visão, cegueira ou alterações visíveis decorrentes de doenças e traumas. Nesses casos, a indicação médica considera necessidade clínica, reabilitação estética e qualidade de vida.
Como surgiram os riscos da ceratopigmentação no uso estético
Os riscos da ceratopigmentação passaram a preocupar especialistas quando a técnica deixou de ser discutida apenas em contextos terapêuticos e ganhou espaço como procedimento estético para olhos saudáveis.
Essa mudança de finalidade altera a relação entre benefício e risco. Em pacientes com indicação médica, o procedimento pode atender a uma necessidade funcional ou reparadora. Mas em pessoas sem doença ocular, a intervenção ocorre sobre uma estrutura saudável apenas para modificar a aparência.
Além disso, a comparação com lentes de contato coloridas é limitada. As lentes são removíveis e permitem interromper o uso diante de desconforto, irritação ou insatisfação estética. A ceratopigmentação, por outro lado, modifica a córnea de forma permanente ou de difícil reversão.
Por isso, possíveis arrependimentos, alterações visuais ou desconfortos após a cirurgia nem sempre podem ser corrigidos. Essa diferença torna a decisão mais sensível do ponto de vista médico e exige avaliação individual com oftalmologista.
O que a ciência indica sobre os riscos da ceratopigmentação
Os riscos da ceratopigmentação ainda não contam com evidências suficientes para sustentar o uso puramente estético em olhos saudáveis, segundo Ferreira. A principal preocupação é a segurança ao longo dos anos.
“As evidências sobre a segurança a longo prazo deste procedimento são escassas. Não temos clareza sobre como esses pigmentos reagirão com o passar dos anos, nem quais conseqüências poderão surgir em função da transparência da córnea ou da resposta inflamatória do organismo”, afirma o oftalmologista.
De acordo com o especialista, sociedades oftalmológicas defendem que a ceratopigmentação seja indicada apenas quando houver recomendação médica fundamentada. “O uso puramente estético não terá respaldo a partir de evidências robustas e, portanto, deve ser abordado com extrema cautela”, diz Ferreira.
No caso de cirurgias oculares, a ausência de dados de longo prazo pesa diretamente na decisão. Diferentemente de procedimentos superficiais, intervenções na córnea podem afetar a visão, a tolerância à luz e a saúde ocular de forma duradoura.
Como avaliar os riscos da ceratopigmentação na prática
Os riscos da ceratopigmentação devem ser discutidos em consulta com oftalmologista, com avaliação da saúde ocular, histórico clínico, expectativa estética e possíveis consequências. A decisão não deve se basear apenas em imagens de redes sociais ou relatos de resultado imediato.
A consulta precisa esclarecer que a prioridade da oftalmologia é preservar a função visual. Ferreira resume essa orientação ao afirmar: “É vital que as decisões sejam pautadas em evidências científicas, não em modismos”.
Na prática, a pessoa interessada deve perguntar quais complicações podem ocorrer, quais sinais exigem atendimento, se há possibilidade real de reversão e quais alternativas menos invasivas existem. Quando a motivação é apenas estética, lentes de contato coloridas podem ser avaliadas como opção temporária e reversível, desde que usadas com orientação profissional.
Quem sente desconforto com a própria aparência também pode se beneficiar de uma conversa acolhedora com profissionais de saúde, sem julgamento e com informação confiável. A orientação médica ajuda a separar desejo estético, segurança clínica e cuidado com a visão antes de qualquer intervenção.
Leia também:




