Os vírus de RNA com maior potencial pandêmico foram reunidos em um catálogo desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Edimburgo (UoE) para orientar a vigilância sobre doenças infecciosas emergentes.
Segundo a pesquisa, há milhares de espécies conhecidas de vírus de RNA, mas 239 têm capacidade de infectar seres humanos. O levantamento organiza esses patógenos por características ligadas ao risco de transmissão e à possibilidade de se tornarem ameaça para a saúde pública.
O objetivo do catálogo é ajudar pesquisadores e autoridades sanitárias a definir quais vírus exigem monitoramento mais próximo. Em vez de tratar todos os patógenos conhecidos da mesma forma, a ferramenta separa os que apresentam sinais mais relevantes para vigilância, especialmente quando já há evidência de infecção humana.
Como os vírus de RNA foram classificados no catálogo
Os vírus de RNA foram classificados a partir de fatores associados à transmissão. A análise considera se o patógeno passa por contato direto, pela inalação de partículas ou por vetores, como mosquitos.
Além disso, o catálogo considera características que ajudam a diferenciar vírus de baixo risco imediato daqueles que merecem atenção contínua. Entre os critérios descritos na pesquisa estão:
- capacidade de infectar seres humanos;
- possibilidade de transmissão entre pessoas;
- forma de circulação, incluindo contato direto, partículas respiratórias ou vetores;
- histórico de adaptação e disseminação em populações humanas.
De acordo com os pesquisadores, cientistas documentam, em um ano típico, dois a três novos vírus capazes de infectar humanos. A maioria não provoca surtos relevantes. No entanto, os que conseguem se espalhar entre pessoas entram em uma categoria de vigilância mais sensível.
Por que os vírus de RNA preocupam a vigilância sanitária
Os vírus de RNA preocupam a vigilância sanitária porque alguns conseguem mudar rapidamente e se adaptar a novos contextos de transmissão. Essa característica esteve presente na evolução do SARS-CoV-2, que originou diferentes variantes durante a pandemia de Covid-19.
A pesquisa também diferencia os vírus zoonóticos, que passam de animais para humanos, daqueles que já circulam entre pessoas. A raiva, por exemplo, é citada como uma doença de origem animal com baixa transmissão entre humanos. O maior risco está nos patógenos que já demonstram capacidade de disseminação interpessoal.
Embora esses episódios de vírus como o Ebola, por exemplo, tenham sido controlados em determinados contextos, a transmissão em áreas urbanas e a identificação tardia de novos casos continuam sendo pontos de atenção para equipes de saúde pública.
Outro dado relevante é o intervalo entre o início da circulação de um novo vírus e sua identificação. Em alguns casos, a detecção ocorre semanas ou meses depois dos primeiros registros, o que reduz o tempo disponível para resposta.
Para famílias, escolas, serviços de saúde e redes de apoio, o efeito prático é indireto: o catálogo não anuncia uma nova emergência, mas organiza informação confiável para que autoridades priorizem pesquisa, vigilância e resposta diante de ameaças virais com maior risco documentado.
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