Mulheres autistas são foco de uma campanha lançada pela ABRAÇA em 18 de junho, Dia do Orgulho Autista, para enfrentar a violência de gênero associada ao capacitismo no Brasil.
Com o lema “Sou autista e luto pelo fim da violência contra a mulher!”, a iniciativa coloca em debate uma realidade ainda pouco registrada nas estatísticas públicas: a violência vivida por mulheres autistas em casa, nos serviços, nas instituições e nas relações familiares.
O alerta é sustentado por dados do Atlas da Violência 2026. O levantamento aponta que 69,2% das 24.946 notificações de violência contra pessoas com deficiência envolvem mulheres. Além disso, 60,6% dessas ocorrências foram registradas no ambiente doméstico.
Entre jovens com deficiência intelectual, a taxa de notificação chegou a 81,5 casos por 10 mil habitantes, contra 37,0 entre homens na mesma condição. Para a ABRAÇA, a ausência de dados específicos sobre mulheres autistas dificulta a formulação de políticas públicas e protocolos de atendimento.
Por que mulheres autistas estão no centro da campanha?
Mulheres autistas aparecem no centro da campanha porque a associação afirma que gênero e deficiência não podem ser analisados separadamente nos casos de violência. A entidade aponta que misoginia e capacitismo ampliam barreiras para identificar abusos, pedir ajuda e acessar proteção.
A campanha ra trata da vdescreve quatro frentes de atuação. A primeiisibilização de violências psicológicas, sexuais, institucionais e patrimoniais. Segundo a ABRAÇA, a infantilização de mulheres autistas também dificulta a denúncia e o reconhecimento da autonomia dessas mulheres.
O segundo eixo aborda o subdiagnóstico e a invisibilização. Muitas mulheres autistas recebem diagnóstico tardio ou não são reconhecidas em suas características, o que reduz o acesso a apoio, orientação, saúde mental e rede de cuidado.
Outro ponto da campanha é a sobrecarga de mulheres autistas que atuam como cuidadoras dentro das próprias famílias. A ABRAÇA afirma que a falta de rede de apoio pode aumentar a vulnerabilidade em contextos de violência e dependência econômica.
A entidade também defende a capacitação de profissionais que atuam nas áreas de saúde, educação, assistência social e segurança pública para identificar situações de violência envolvendo mulheres autistas.
Segundo a ABRAÇA, o reconhecimento das diferentes formas de comunicação e das características do Transtorno do Espectro Autista pode contribuir para um atendimento mais adequado, reduzindo barreiras durante o acolhimento, o registro de denúncias e o encaminhamento para os serviços de proteção disponíveis.
Como a campanha para mulheres autistas será realizada
Mulheres autistas devem ser contempladas por ações públicas, rodas de conversa e mobilizações nas redes sociais ao longo de 2026, segundo a ABRAÇA. A associação também informou que produzirá materiais acessíveis com linguagem simples, Libras e audiodescrição.
O quarto eixo trata do acesso à rede de proteção. A campanha propõe discutir barreiras encontradas por mulheres autistas em casas de acolhimento, assistência social, serviços de justiça e atendimentos especializados, especialmente quando há diferenças de comunicação e autonomia.
Além disso, a iniciativa inclui homens autistas no debate sobre masculinidades, misoginia, consentimento e responsabilidade coletiva no enfrentamento da violência contra a mulher.
A ABRAÇA afirma que a campanha dialoga com a Lei Brasileira de Inclusão, a Lei Maria da Penha e a Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Informações sobre calendário, materiais e ações serão divulgadas nos canais oficiais da entidade durante o ano.
Mulheres em situação de violência devem procurar a rede local de proteção, como assistência social, casas de acolhimento, delegacias e Justiça. Em casos envolvendo mulheres autistas, a orientação deve considerar acessibilidade, comunicação, acolhimento e escuta qualificada.
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