A dieta vegetal foi associada a menor risco de doença renal crônica em estudo publicado no Canadian Medical Association Journal, com dados de 179.508 pessoas acompanhadas por 12 anos no Reino Unido. A pesquisa usou informações do UK Biobank e analisou a adesão ao padrão EAT-Lancet, proposta alimentar com maior presença de vegetais, grãos integrais, frutas e leguminosas.
O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade Médica do Sul, na China. Segundo os autores, participantes com maior adesão ao padrão alimentar tiveram menor probabilidade de desenvolver lesões renais e apresentaram melhor função renal ao longo do acompanhamento.
O que o estudo sobre dieta vegetal encontrou
A dieta vegetal foi avaliada a partir de marcadores metabólicos no sangue. De acordo com a nefrologista Patrícia Goldenstein, do Einstein Hospital Israelita, cerca de 20% do efeito protetor observado está associado a mudanças metabólicas relacionadas à redução da inflamação.
“Os marcadores no sangue mostraram que uma dieta orientada para plantas pode modificar o perfil inflamatório do organismo, o que é benéfico para a saúde renal”, afirmou a especialista.
Além disso, o estudo reforça a relação entre alimentação e fatores que interferem na função dos rins. No Brasil, entre 7% e 10% da população adulta apresenta algum nível de comprometimento renal, conforme dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia. Parte desses casos avança sem sintomas evidentes nas fases iniciais.
Os pesquisadores observaram que a associação entre maior consumo de alimentos de origem vegetal e melhor saúde renal permaneceu consistente mesmo após o ajuste para fatores como idade, sexo, índice de massa corporal, tabagismo e nível de atividade física. Segundo os autores, isso reforça a robustez dos resultados encontrados.
Como a dieta vegetal entra na rotina
A dieta vegetal analisada no estudo segue a lógica da dieta planetária, criada em 2019 por uma comissão de especialistas de 16 países. O modelo prioriza vegetais, frutas, feijões, grãos integrais e oleaginosas, com redução do consumo de carne vermelha e produtos ultraprocessados.
No contexto brasileiro, a adaptação pode incluir alimentos já presentes na rotina, como feijão, arroz, hortaliças e frutas regionais. Dessa forma, a mudança não exige abandonar a cultura alimentar local, mas ajustar proporções e frequência de consumo.
A nutricionista Bruna Aparecida Farias afirma que legumes, frutas, grãos integrais e feijões podem fazer parte de escolhas diárias com impacto nas funções corporais e na alimentação sustentável. A orientação, no entanto, deve considerar preferências, acesso aos alimentos e condições clínicas de cada pessoa.
Segundo especialistas, mudanças graduais na alimentação costumam favorecer maior adesão ao novo padrão alimentar, permitindo adaptações sustentáveis sem comprometer o equilíbrio nutricional do dia a dia.
Cuidados antes de adotar dieta vegetal
A dieta vegetal não substitui acompanhamento profissional, especialmente para pessoas com diabetes, hipertensão, obesidade, histórico familiar de doença renal ou diagnóstico prévio de comprometimento dos rins.
Por outro lado, a redução de carnes não significa aumentar sem controle outras fontes de proteína. Goldenstein alerta que o consumo excessivo de proteínas aumenta a pressão sobre os glomérulos, estruturas responsáveis pela filtração do sangue, principalmente em pessoas que já têm fatores de risco.
Antes de mudanças alimentares mais restritivas, médicos e nutricionistas costumam avaliar exames de potássio, fósforo e sódio. Esses indicadores ajudam a definir limites seguros para cada paciente, porque algumas condições renais exigem controle específico desses nutrientes.
Além da alimentação, hidratação adequada e redução do sedentarismo integram os cuidados com a saúde renal. Quem apresenta inchaço persistente, alteração na urina, pressão alta de difícil controle ou diagnóstico de diabetes deve procurar avaliação em serviço de saúde para orientação individualizada.
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