O Julho Verde chama atenção para o câncer de cabeça e pescoço e para sinais que exigem avaliação médica, diante do diagnóstico tardio de cerca de 80% dos casos no Brasil. A campanha orienta o reconhecimento precoce de alterações persistentes na boca, garganta, laringe, nariz e pescoço.
Segundo a oncologista Gabriela Freitas, em participação no programa Acir Antão, alguns tumores dessa região podem ser confundidos com problemas neurológicos, embora tenham origem em alterações nas áreas orais ou de garganta. Por isso, a avaliação especializada é indicada quando sintomas não desaparecem.
No Julho Verde, a orientação abrange tumores que afetam boca, lábios, faringe, laringe, seios da face, glândulas salivares e tireoide. A identificação da área atingida ajuda a definir exames, tratamento e acompanhamento, conforme avaliação da equipe de saúde.
Julho Verde reúne sinais que exigem avaliação médica
Julho Verde destaca que os sintomas variam conforme a região afetada. Na laringe, a rouquidão persistente é um dos sinais de alerta. Em outras áreas, alterações na boca, língua, pescoço ou vias nasais também exigem atenção quando permanecem por vários dias.
- Rouquidão persistente;
- Nódulos no pescoço;
- Feridas na boca ou na língua que não cicatrizam;
- Dificuldade para engolir;
- Obstrução nasal contínua.
Esses sinais não confirmam câncer isoladamente, mas indicam a necessidade de avaliação médica ou odontológica. Além disso, o diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamento e reduz o risco de sequelas associadas a casos identificados tardiamente.
Julho Verde destaca HPV, tabagismo e álcool
A campanha também reforça fatores associados ao câncer de cabeça e pescoço. Gabriela Freitas citou o tabagismo e o consumo excessivo de álcool como condições que elevam o risco. A combinação entre cigarro e bebida alcoólica aumenta a preocupação clínica, segundo a oncologista.
O cigarro eletrônico também foi mencionado pela médica. Embora seja tratado por parte dos usuários como alternativa ao cigarro comum, o dispositivo aquece e libera substâncias tóxicas que atingem pulmões e estruturas superiores do sistema respiratório.
Outra orientação do Julho Verde envolve o HPV, vírus relacionado a parte dos tumores de orofaringe. De acordo com Gabriela Freitas, casos associados ao HPV têm sido identificados também em jovens sem histórico de tabagismo ou consumo de álcool.
A vacina contra HPV está disponível no SUS. A recomendação informada na campanha contempla meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de adolescentes de 15 a 19 anos que não receberam doses prévias. O Ministério da Saúde mantém campanha de vacinação contra HPV até o fim do ano.
O tratamento do câncer de cabeça e pescoço pode envolver oncologistas, cirurgiões, fonoaudiólogos e fisioterapeutas. Segundo Gabriela Freitas, o acompanhamento após o tratamento é necessário porque alguns pacientes apresentam sequelas como alterações na fala, engasgos e risco de complicações respiratórias.
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