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Diagnóstico de autismo cresce no Brasil com MAB 2026

Diagnóstico de autismo no Brasil avançou no MAB 2026, com quase 70% dos casos entre 2020 e 2024 e barreiras de acesso.
Pessoa em avaliação neuropsicológica para diagnóstico de autismo no Brasil
Representação de crianças autistas durante atividade de inclusão em escola — Imagem: IA
🧠 Informação educativa
As informações deste conteúdo têm caráter educativo e não substituem avaliação, diagnóstico ou tratamento por profissionais habilitados.

O diagnóstico de autismo no Brasil passou por uma ampliação recente, segundo dados do Mapa Autismo Brasil (MAB) 2026, que aponta que quase 70% dos diagnósticos informados na pesquisa ocorreram entre 2020 e 2024.

O levantamento, apresentado como a maior pesquisa sobre autismo da América Latina, ouviu mais de 23 mil participantes, entre pessoas autistas e familiares. Os dados citados no estudo indicam cerca de 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no país, o equivalente a 1,2% da população.

Além disso, a pesquisa mostra que crianças e adolescentes concentram 72,1% dos entrevistados. A predominância reforça a mudança no acesso à identificação do TEA nos últimos anos, mas também expõe diferenças relevantes por gênero.

O que o MAB 2026 mostra sobre diagnóstico de autismo

O diagnóstico de autismo aparece com maior frequência entre meninos no MAB 2026: eles representam 65,3% dos casos relatados, contra 34,2% de meninas. A diferença acompanha padrões internacionais, mas levanta a hipótese de subdiagnóstico feminino, segundo a análise.

Esse ponto é relevante para famílias atípicas porque meninas autistas podem chegar mais tarde aos serviços de avaliação, especialmente quando os sinais são menos reconhecidos em casa, na escola ou nos atendimentos iniciais. No entanto, o levantamento não conclui que haja aumento real da prevalência do TEA.

A neuropsicóloga Bruna Odorcik avalia que a alta recente no diagnóstico de autismo está ligada à melhora na capacidade de identificação, e não necessariamente a um crescimento proporcional do transtorno na população. Segundo ela, critérios diagnósticos mais assertivos e maior circulação de informação alteraram a forma como famílias e adultos procuram avaliação.

Por que o diagnóstico de autismo aumentou no país

O diagnóstico de autismo aumentou em um período em que o tema passou a circular mais em ambientes familiares, escolares, profissionais e digitais. A internet aparece, na avaliação da especialista, como um fator que reduziu parte do desconhecimento e ampliou a procura por orientação.

“A comunicação melhorada e a disseminação de informações pela internet têm contribuído significativamente para a naturalização do debate sobre o autismo”, destaca Odorcik.

Por outro lado, a especialista afirma que a confirmação do TEA exige avaliações neuropsicológicas detalhadas. O processo pode envolver investigação de comorbidades, como deficiência intelectual ou epilepsia, o que demanda acompanhamento técnico e cuidado na interpretação dos sinais.

O MAB 2026 também aponta maior procura de adultos por avaliação. Esse movimento alcança pessoas que passaram pela infância e adolescência sem identificação formal, cenário que ajuda a explicar parte do crescimento recente do diagnóstico de autismo.

Acesso ao diagnóstico de autismo ainda depende de renda

O diagnóstico do TEA ainda encontra barreiras de acesso no Brasil. Segundo o levantamento, 55,3% das avaliações foram realizadas por médicos particulares, enquanto 23,1% ocorreram por planos de saúde e 20,4% pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Os números indicam que o custo da avaliação continua sendo um obstáculo para parte das famílias. “A ausência de políticas públicas abrangentes que garantam acesso igualitário aos serviços de saúde é uma questão crucial”, observa a neuropsicóloga.

Além da barreira financeira, Odorcik chama atenção para mitos persistentes sobre o autismo e para o aumento do autodiagnóstico. “É essencial entender que existem outros transtornos do neurodesenvolvimento que compartilham características semelhantes e que, consequentemente, podem complicar a vida das pessoas”, adverte.

Para famílias que suspeitam de TEA, a orientação é buscar avaliação com profissionais qualificados e reunir informações escolares, clínicas e comportamentais que ajudem no atendimento. O diagnóstico de autismo formal continua sendo o caminho para acessar terapias, adaptações escolares, direitos e rede de apoio.

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