A EJA para autistas entrou no debate público em Goiás após dados educacionais indicarem que 48% dos adultos autistas no estado não têm instrução formal ou não concluíram o Ensino Fundamental.
A proposta prevê um programa de Educação de Jovens e Adultos voltado a pessoas autistas e neurodivergentes. O tema ganhou espaço em meio à diferença entre o acesso inicial à escola e a permanência nos anos seguintes.
Segundo os dados citados na discussão, entre 92% e 95% das crianças autistas de 5 a 9 anos em Goiás estão matriculadas no Ensino Fundamental. No entanto, a permanência cai na transição para etapas posteriores: apenas um em cada três adolescentes autistas permanece na escola.
Essa queda concentra a preocupação de famílias atípicas e educadores. Além disso, o problema envolve a falta de profissionais especializados, adaptações pedagógicas insuficientes e descontinuidade entre redes municipais e estaduais.
Por que a EJA para autistas é discutida em Goiás
A EJA para autistas é apresentada como uma alternativa para jovens e adultos que deixaram a escola ou não conseguiram concluir a formação básica no tempo regular.
Samuel Carvalho, empresário e pré-candidato à Assembleia Legislativa de Goiás, defende a criação do programa. Ele afirma que a proposta deve alcançar pessoas autistas e outros neurodivergentes que ficaram fora da trajetória escolar formal.
“Precisamos corrigir esse gargalo de inclusão, que marginaliza a população de neurodivergentes na sociedade e a priva de formação educacional formal”, disse Carvalho.
O debate também alcança a empregabilidade. Sem conclusão da educação básica, jovens e adultos autistas enfrentam mais barreiras para acessar formação profissional, vagas de trabalho e políticas públicas de inclusão.
O que a EJA para autistas exige das redes de ensino
A EJA para autistas depende de organização pedagógica, formação de educadores e suporte individualizado. O Manual de Atuação em Defesa da Educação Inclusiva, elaborado pelo Ministério Público Federal, aponta a necessidade de Plano de Desenvolvimento Individualizado para estudantes que precisam de adaptações.
Na prática, o PDI orienta objetivos, estratégias, recursos e formas de avaliação conforme as necessidades do estudante. Portanto, a discussão sobre a EJA para autistas não se limita à abertura de vagas: envolve condições reais de permanência.
Famílias que enfrentam recusa de matrícula, ausência de adaptação ou falta de apoio devem procurar a direção da escola e a secretaria de educação responsável. A orientação é registrar os pedidos por escrito e solicitar avaliação pedagógica individualizada.
Quando houver negativa de atendimento ou interrupção do suporte, o caso pode ser levado aos canais formais da rede de ensino e aos órgãos de defesa de direitos. Dessa forma, a EJA para autistas passa a ser tratada como parte da garantia de acesso, permanência e aprendizagem.
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