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Donanemabe na Justiça: famílias recorrem ao judiciário por novo remédio para Alzheimer

Donanemabe na Justiça: famílias brasileiras obtêm liminares para acesso ao novo medicamento contra Alzheimer aprovado pela Anvisa em 2025.
Família em consultório médico discutindo tratamento com donanemabe na justiça para Alzheimer
Mão de paciente recebe infusão do medicamento donanemabe para Alzheimer em hospital — Imagem: IA
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

O donanemabe na Justiça se tornou realidade para famílias brasileiras dez meses após a aprovação do medicamento pela Anvisa, em abril de 2025. Aproximadamente 35 ações judiciais foram registradas em São Paulo até agora, com 28 decisões favoráveis aos pacientes. O custo da aplicação, que ultrapassa R$ 30 mil, representa um obstáculo para famílias que enfrentam negativas dos planos de saúde.

O medicamento, conhecido comercialmente como Kisunla, é indicado para pacientes em estágios iniciais de Alzheimer. Pesquisas indicam que o donanemabe na Justiça se multiplica porque o remédio pode retardar a perda cognitiva e a autonomia quando administrado precocemente — mas a fabricante Eli Lilly não solicitou inclusão no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Como o donanemabe na Justiça avança em São Paulo com decisões favoráveis

Levantamentos apontam que juízes têm afirmado que os planos de saúde são legalmente obrigados a cobrir o tratamento quando há prescrição médica, mesmo sem o remédio no rol da ANS. A legislação brasileira, com a lei 14.454, de 2022, ampliou os critérios para cobertura de tratamentos e permite que juízes considerem a inclusão à luz de necessidades especiais.

O neurologista Paulo Caramelli, professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), destaca que o donanemabe na Justiça deve ser tratado com cautela: o tratamento precisa ser reservado para pacientes criteriosamente selecionados, não para todos os diagnosticados com Alzheimer. Levando em conta o custo elevado e a necessidade de monitoramento, o uso indiscriminado pode não ser viável.

Donanemabe na Justiça: caso real mostra liminar concedida no mesmo dia

M.Q.S., empresária de 34 anos, obteve liminar para o pai, C.S.S., de 71 anos, diagnosticado com Alzheimer em estágio inicial no início de 2025. O plano de saúde negou a cobertura alegando que o medicamento não estava na lista da ANS. A filha recorreu à Justiça, protocolou a ação às 6h da manhã e obteve liminar às 14h do mesmo dia.

A primeira aplicação teve que ser custeada pela família, resultando em despesa de R$ 23 mil — correspondente a 25% de uma dose completa. Após quatro infusões, M.Q.S. relata mudanças positivas no comportamento do pai, que se tornou mais comunicativo e calmo.

“O tempo é determinante para a eficácia do tratamento. Se a doença avança, ele pode não ser mais apto para receber o remédio”, explica a advogada Renata Vilhena Silva, especialista em direito à saúde. Ela menciona que as liminares têm sido frequentemente concedidas entre 72 horas e duas semanas após o ingresso das ações.

Donanemabe na Justiça expõe tensão entre fabricante, seguradoras e pacientes

Bruno Sobral, diretor-executivo da Fenasaúde, manifesta preocupação com o aumento das ações judiciais e critica a estratégia da fabricante em não buscar a incorporação do remédio no sistema de saúde pública e privada. Para ele, isso gera desvio em relação à quantificação dos benefícios e riscos do novo tratamento.

A Eli Lilly reconhece os desafios enfrentados no acesso a terapias inovadoras e destaca que o intervalo entre a aprovação oficial e a disponibilidade efetiva no sistema de saúde pode ultrapassar cinco anos.

Caramelli enfatiza que a necessidade de discussão mais ampla sobre coberturas de tratamentos como o donanemabe na Justiça é inadiável para evitar aumento na judicialização. “Cerca de 80% dos casos da doença permanecem sem diagnóstico. A situação requer mudança nos protocolos e na análise dos medicamentos que merecem inserção no rol da ANS”, afirma.

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