Home / Neuro / Fone antirruído para autistas: o que muda com a lei de BH

Fone antirruído para autistas: o que muda com a lei de BH

Fone antirruído para autistas: shoppings de BH poderão emprestar a quem tem hipersensibilidade auditiva. Veja o PL 420/2025 e como conseguir.
Fone antirruido para autistas com hipersensibilidade auditiva em ambiente comercial
Proposta que prevê o empréstimo de fones antirruído para pessoas com deficiências auditivas é debatida em BH — Imagem: IA
🧠 Informação educativa
As informações deste conteúdo têm caráter educativo e não substituem avaliação, diagnóstico ou tratamento por profissionais habilitados.

Shoppings e supermercados de Belo Horizonte poderão ser obrigados a emprestar fone antirruído para autistas e outras pessoas com hipersensibilidade auditiva. A medida está em um projeto de lei que pode ser votado em definitivo nesta segunda-feira (13).

A proposta é o Projeto de Lei 420/2025, da vereadora Professora Marli (PP), que altera a Lei Municipal de Inclusão da Pessoa com Deficiência e da Pessoa com Mobilidade Reduzida (Lei 11.416/2022). O texto tramita em 2º turno na Câmara Municipal de BH e, para ser aprovado em definitivo, depende do voto favorável de pelo menos 21 vereadores.

📌 Resumo

  • O PL 420/2025 obrigaria shoppings e supermercados de BH a emprestar fones ou abafadores antirruído.
  • O público-alvo são pessoas com hipersensibilidade auditiva — comum no Transtorno do Espectro Autista (TEA).
  • Os equipamentos seriam gratuitos, higienizados e com certificação do Inmetro.
  • O projeto pode ser votado em definitivo na segunda-feira (13) e precisa de ao menos 21 votos.
  • Hipersensibilidade auditiva não é deficiência auditiva: é uma resposta sensorial intensa ao som, não perda de audição.

📋 O que o projeto prevê

  • Empréstimo gratuito de fone ou abafador antirruído durante a permanência no estabelecimento
  • Entrega mediante solicitação da própria pessoa (adultos) ou de pais/responsáveis (crianças)
  • Equipamentos com certificação do Inmetro e higienizados a cada uso
  • Sinalização visível na entrada informando a disponibilidade

O que é hipersensibilidade auditiva (e por que não é surdez)

Um ponto importante costuma se perder na cobertura do tema: hipersensibilidade auditiva não é deficiência auditiva. Não se trata de perda de audição, e sim do contrário — o cérebro processa os sons do ambiente com intensidade muito maior do que o habitual. Para muitas pessoas autistas, o ruído somado de um supermercado ou shopping (música, anúncios, carrinhos, multidão) pode se tornar físico e doloroso, levando a desconforto severo, ansiedade e crises sensoriais. O fone antirruído para autistas reduz esse estímulo e devolve à pessoa a possibilidade de permanecer no ambiente com mais conforto.

O que muda com a proposta de BH

Hoje, o abafador é um recurso que a família precisa providenciar por conta própria. Se aprovado, o PL 420/2025 transfere parte dessa responsabilidade para o ambiente comercial — a lógica da acessibilidade, em que o espaço se adapta à pessoa, e não o contrário. Por ser uma alteração na Lei 11.416/2022, valeria para Belo Horizonte; ainda assim, pode servir de referência caso outras cidades — inclusive no Vale do Aço — venham a adotar medidas parecidas. É um passo de baixo custo e alto impacto para tornar o comércio mais acolhedor.

Autismo e o direito ao conforto sensorial

Iniciativas assim se somam a outras que vêm ganhando espaço, como a chamada “hora silenciosa” em supermercados (redução de luzes e sons em horários definidos) e a substituição de sirenes escolares por música. Todas partem do mesmo princípio: ambientes previsíveis e com menos estímulos ampliam a participação de pessoas neurodivergentes na vida em comunidade. Entender a neurodiversidade é o primeiro passo para que esses ajustes deixem de ser exceção.

Como conseguir um fone antirruído para autistas

Enquanto a regra comercial se restringe a BH, quem precisa do equipamento no dia a dia tem outros caminhos. Um deles é a rede pública: há decisões judiciais e iniciativas administrativas relacionadas ao fornecimento, pelas quais o SUS pode fornecer abafadores de ruído a pessoas com autismo. Vale também procurar o serviço de terapia ocupacional, que orienta sobre o tipo de abafador mais adequado a cada perfil sensorial.

Perguntas frequentes

Fone antirruído e abafador de ruído são a mesma coisa?

Na prática, cumprem a mesma função: reduzir o volume dos sons do ambiente. O abafador (tipo concha) costuma ser mais indicado para crianças e para quem precisa de maior atenuação; a escolha ideal deve considerar o conforto de cada pessoa.

Quem teria direito ao fone pela proposta de BH?

Pessoas com hipersensibilidade auditiva, condição comum no autismo. O empréstimo seria feito mediante solicitação da própria pessoa (adultos) ou de pais e responsáveis, no caso de crianças.

E fora de Belo Horizonte, como conseguir?

A lei de BH vale só para a capital, mas o abafador pode ser buscado pela via do SUS e com orientação de terapia ocupacional — além da compra por conta própria, já que é um item acessível no mercado.

Para se aprofundar, veja também como a substituição da sirene escolar por música acolhe alunos com sensibilidade sensorial. O texto integral do projeto está disponível no portal da Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Sobre o autor
A Redação do SERTEP Notícias é a equipe editorial responsável pela apuração, checagem e publicação das reportagens do portal — o braço de comunicação da SERTEP – Núcleo de Neurodiversidade. Especializada em saúde, neurodiversidade, inclusão e serviços públicos do Vale do Aço (MG), trabalha com fontes oficiais, checagem factual e linguagem clara, sempre com o beneficiário da notícia no centro. Conheça nossos padrões na Política Editorial.

Tags

Compartilhe

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email
Print