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Terapia hormonal na menopausa é associada a menos sinais de Alzheimer; entenda

Terapia hormonal na menopausa é associada a menos sinais de Alzheimer; entenda
Terapia hormonal na menopausa é associada a menos sinais de Alzheimer. Imagem: Pexels
🧠 Informação educativa
As informações deste conteúdo têm caráter educativo e não substituem avaliação, diagnóstico ou tratamento por profissionais habilitados.

Um estudo publicado na revista científica Neurology encontrou uma associação entre o uso de terapia hormonal na menopausa somente com estrogênio e uma menor presença de alterações relacionadas à doença de Alzheimer no cérebro.

A pesquisa analisou dados de milhares de mulheres e observou que aquelas que relataram usar a terapia apresentavam menores chances de alterações neuropatológicas do Alzheimer, além de menor frequência de diagnóstico clínico de demência e menor declínio em medidas de memória e funcionalidade.

Os resultados, porém, precisam ser interpretados com cautela. O estudo foi observacional e retrospectivo, portanto não comprova que o uso de estrogênio proteja contra o Alzheimer ou impeça o desenvolvimento da demência.

O que o estudo encontrou?

Os pesquisadores analisaram dois grandes bancos de dados sobre envelhecimento e doença de Alzheimer, o National Alzheimer’s Coordinating Center (NACC) e a Alzheimer’s Disease Neuroimaging Initiative (ADNI).

No conjunto de dados do NACC, foram analisadas informações clínicas de 19.402 mulheres. Entre elas, 2.959 também tinham dados disponíveis de exames após a morte, incluindo 258 que haviam relatado uso de terapia hormonal na menopausa somente com estrogênio.

Na análise neuropatológica, as mulheres que usavam a terapia apresentaram 35% menos chances de ter maior gravidade das alterações cerebrais características do Alzheimer em comparação com as que não relataram esse uso.

A associação permaneceu mesmo depois que os pesquisadores aplicaram métodos estatísticos para tentar reduzir possíveis diferenças entre as participantes.

Usuárias também apresentaram menor quantidade de beta-amiloide

Outro resultado envolveu a beta-amiloide, uma proteína que pode se acumular no cérebro e está relacionada à doença de Alzheimer.

As mulheres que relataram uso de terapia hormonal na menopausa apresentaram níveis associados a menor carga de beta-amiloide em análises feitas com amostras de sangue e líquido cefalorraquidiano.

O estudo também encontrou uma associação entre o uso da terapia e menor probabilidade de alguns problemas relacionados à doença.

No banco de dados do NACC, as usuárias apresentaram:

  • 39% menos chances de receber diagnóstico clínico de demência;
  • 33% menos chances de apresentar declínio clínico medido por uma escala de avaliação da demência;
  • Menor probabilidade de angiopatia amiloide cerebral;
  • Menor probabilidade de lacunas e infartos cerebrais.

Por outro lado, não foram observadas associações significativas com algumas outras alterações, como atrofia do hipocampo, determinadas formas de degeneração lobar frontotemporal e presença de hemorragias.

E a memória?

Além dos achados relacionados ao cérebro, os pesquisadores avaliaram o desempenho cognitivo das participantes.

De forma geral, o uso de terapia hormonal na menopausa somente com estrogênio esteve associado a menor declínio funcional e de memória ao longo do acompanhamento.

Esse resultado não significa que a terapia melhore a memória ou que possa ser utilizada para prevenir o Alzheimer. A pesquisa apenas encontrou uma relação estatística entre os fatores analisados.

Por que é importante ter cautela com os resultados?

Embora os pesquisadores tenham levado em consideração fatores como idade, escolaridade, hipertensão e presença do gene APOE, outros elementos podem ter influenciado os resultados.

Por exemplo, mulheres que utilizam terapia hormonal na menopausa podem apresentar diferenças de saúde, acesso a atendimento médico, hábitos de vida ou acompanhamento clínico em relação às que não fazem esse tratamento.

Também não foi possível determinar com precisão por quanto tempo cada participante utilizou a terapia hormonal antes do início do estudo. Isso limita a avaliação dos efeitos da exposição ao estrogênio ao longo de toda a vida.

Outro ponto importante é que os dados analisados não representam necessariamente as mulheres que utilizam terapia hormonal atualmente.

O estudo vale para qualquer terapia hormonal na menopausa?

Não. A pesquisa avaliou especificamente mulheres que relataram terapia hormonal na menopausa somente com estrogênio. Isso é importante porque esse tipo de tratamento não é indicado para todas as mulheres na menopausa.

Segundo as informações apresentadas no estudo, mulheres que ainda possuem o útero geralmente não devem utilizar estrogênio isoladamente, pois o hormônio pode aumentar o risco de alterações no revestimento do útero e de câncer endometrial. Nesses casos, quando a terapia hormonal é indicada, costuma-se associar estrogênio e progesterona.

Por isso, os resultados da pesquisa são mais diretamente aplicáveis a um grupo específico de mulheres, especialmente aquelas que passaram por histerectomia, além de não apresentarem contraindicações ao uso de estrogênio.

Terapia hormonal na menopausa pode prevenir o Alzheimer?

Ainda não há evidências suficientes para afirmar isso.

Os autores do estudo destacam que os resultados mostram associações entre o uso da terapia hormonal e diferentes indicadores relacionados ao Alzheimer, mas não estabelecem uma relação de causa e efeito.

Além disso, o desenho da pesquisa não permite saber se o estrogênio foi diretamente responsável pelos resultados ou se outras características das participantes contribuíram para as diferenças observadas.

A terapia hormonal na menopausa também não deve ser iniciada com o objetivo de prevenir demência sem avaliação médica. A decisão de utilizar hormônios na menopausa depende dos sintomas, da idade, do histórico de saúde, dos fatores de risco e das possíveis contraindicações.

O que a pesquisa acrescenta ao conhecimento sobre Alzheimer?

Os resultados ajudam a ampliar a investigação sobre a possível relação entre os hormônios sexuais femininos, envelhecimento cerebral e doença de Alzheimer.

Para os pesquisadores, a associação observada em diferentes medidas — incluindo alterações encontradas no cérebro, beta-amiloide, demência e desempenho funcional — reforça a necessidade de novos estudos.

Ainda será preciso investigar se o tipo de terapia, o momento em que ela é iniciada, o tempo de uso e outros fatores relacionados à menopausa podem modificar essa possível relação.

Por enquanto, a principal conclusão é que o uso de terapia hormonal na menopausa somente com estrogênio esteve associado a menos alterações relacionadas ao Alzheimer no grupo estudado, mas isso não significa que o tratamento seja capaz de prevenir ou tratar a doença.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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