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Smartphone aos 12 anos é associado a maior risco de sintomas de transtornos alimentares

Smartphone aos 12 anos pode afetar alimentação dos jovens?
Smartphone aos 12 anos pode afetar alimentação dos jovens? Imagem: Ron Lach/Pexels
🍎 Orientação nutricional
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação nutricional individualizada de um profissional.

Ter um smartphone aos 12 anos foi associado a uma maior ocorrência de sintomas de transtornos alimentares na adolescência. A relação apareceu em um estudo realizado com 8.957 jovens nos Estados Unidos, que acompanhou os participantes dos 12 aos 14 anos.

Publicado em 25 de setembro de 2026 na revista JAMA Network Open, o trabalho encontrou associações entre possuir um celular próprio aos 12 anos e sintomas como compulsão alimentar, comportamentos usados de forma inadequada para evitar ganho de peso e autoestima muito ligada ao peso corporal.

Os pesquisadores, porém, não afirmam que o smartphone aos 12 anos provoque diretamente transtornos alimentares. O estudo identificou uma associação e não foi desenhado para provar causa e efeito.

Smartphone aos 12 anos foi comum entre os participantes

Dos 8.957 adolescentes analisados, 6.225, ou 69,5%, já tinham um smartphone aos 12 anos. Entre eles, 64,5% usavam iPhone e 35,5%, Android.

Os dados vieram do Adolescent Brain Cognitive Development Study, um grande estudo norte-americano que acompanha o desenvolvimento de crianças e adolescentes. A pesquisa utilizou informações coletadas entre 2018 e 2024, em 21 centros de estudo nos Estados Unidos.

Além da posse do celular, os pesquisadores consideraram vários outros fatores que poderiam influenciar os resultados, como sexo, raça e etnia, renda familiar, escolaridade dos pais, sintomas de depressão ou TDAH, estágio da puberdade, peso corporal, uso de outros dispositivos e monitoramento parental.

O que o estudo encontrou aos 14 anos

Na análise que acompanhou os adolescentes por dois anos, ter um smartphone aos 12 anos esteve associado a um risco maior de apresentar alguns sintomas de transtornos alimentares aos 14.

Entre os principais resultados, os adolescentes que tinham smartphone aos 12 anos apresentaram:

  • Risco 67% maior de relatar sintomas de compulsão alimentar;
  • Risco 50% maior de apresentar comportamentos compensatórios inadequados para evitar ganho de peso;
  • Risco 103% maior de ter a autoestima vinculada ao peso;
  • Risco 49% maior de apresentar pelo menos um dos sintomas analisados.

Os números representam medidas de associação entre os grupos estudados. Eles não significam que exatamente esse percentual de adolescentes desenvolverá um transtorno alimentar por ter recebido um smartphone.

O que são os sintomas de transtornos alimentares?

Os transtornos alimentares envolvem alterações persistentes na relação com a comida, com o peso ou com a própria imagem corporal. Eles incluem condições como anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar.

No estudo, os pesquisadores não avaliaram apenas diagnósticos completos. Também observaram sintomas específicos, como episódios de compulsão alimentar, preocupação com o peso e comportamentos inadequados para tentar evitar o ganho de peso.

Um dos sinais avaliados foi a chamada compulsão alimentar, que envolve episódios em que a pessoa come uma quantidade de alimentos maior do que o habitual acompanhada de sensação de perda de controle.

Outro foi a autoestima vinculada ao peso, quando a forma como a pessoa se enxerga ou avalia o próprio valor depende fortemente do número na balança ou da aparência corporal.

Por que o celular pode estar relacionado a esse risco?

Os autores levantam algumas possíveis explicações, mas elas ainda precisam ser investigadas.

Uma delas é a exposição mais frequente a conteúdos relacionados à aparência, ao corpo e ao peso. Redes sociais podem estimular comparações com outras pessoas, inclusive com imagens que apresentam padrões de beleza difíceis de alcançar.

Outro possível mecanismo é o uso problemático das redes sociais, que já foi relacionado em pesquisas anteriores à insatisfação corporal e a comportamentos alimentares desordenados.

O uso do celular durante a noite também foi considerado pelos pesquisadores. A exposição a telas pode reduzir o tempo de sono ou alterar a rotina de descanso, e problemas de sono podem estar relacionados à regulação do apetite e das emoções.

Isso não significa, entretanto, que todo adolescente que usa redes sociais ou possui um celular desenvolverá problemas alimentares.

Meninas apresentaram uma associação específica maior

Quando os pesquisadores separaram os participantes por sexo, encontraram uma diferença em relação à preocupação com ganho de peso.

A associação entre possuir um smartphone aos 12 anos e essa preocupação foi mais forte entre as adolescentes do sexo feminino. O mesmo resultado não apareceu entre os adolescentes do sexo masculino.

Esse dado pode indicar uma diferença na forma como o uso precoce do dispositivo se relaciona com questões de imagem corporal, mas os pesquisadores destacam que são necessários mais estudos para entender esse resultado.

Estudo não prova que o smartphone cause transtornos alimentares

Apesar de acompanhar os adolescentes ao longo do tempo, a pesquisa tem limitações importantes.

A posse do smartphone não foi definida pelos pesquisadores de forma aleatória. Portanto, as famílias que deram um celular aos filhos aos 12 anos podem ter características diferentes das famílias que não deram, inclusive em aspectos que não foram medidos pelo estudo.

Também não foi possível saber exatamente o que cada adolescente fazia no celular, quais redes sociais utilizava, que tipo de conteúdo consumia ou quanto tempo passava diante da tela. Esses fatores podem ser relevantes para compreender os resultados.

Além disso, os sintomas foram relatados pelos próprios adolescentes, o que pode gerar diferenças na forma como cada participante responde às perguntas.

Os autores também reconhecem que outros fatores, como bullying, cyberbullying, problemas de saúde mental e características do desenvolvimento, podem influenciar o risco de sintomas de transtornos alimentares e não foram totalmente considerados na análise.

O que os pais podem observar?

O estudo não estabelece uma idade específica que determine quando um adolescente deve ou não receber um smartphone. A pesquisa mostra uma associação entre a posse do aparelho aos 12 anos e determinados sintomas, mas não permite concluir que adiar o celular por si só previna transtornos alimentares.

Ainda assim, os resultados reforçam a importância de acompanhar como crianças e adolescentes estão usando a tecnologia. Mudanças no comportamento alimentar, preocupação excessiva com peso ou aparência, sentimento de culpa depois de comer e tentativas de compensar a alimentação merecem atenção.

Os pesquisadores sugerem que profissionais de saúde considerem o uso de smartphones e redes sociais ao avaliar fatores relacionados à saúde mental e aos transtornos alimentares em adolescentes.

Mais do que a simples presença do aparelho, a forma como ele é utilizado pode ser importante. A supervisão dos responsáveis, o diálogo sobre imagem corporal e alimentação e a atenção a sinais de sofrimento podem ajudar a identificar problemas mais cedo.

O estudo contribui para ampliar a discussão sobre os possíveis efeitos do acesso precoce aos smartphones, mas novas pesquisas ainda são necessárias para entender quais tipos de uso estão mais relacionados aos sintomas e se existe uma relação de causa e efeito.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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