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Controle da pressão alta poderia evitar mais de 500 mil mortes por ano

Controle da pressão alta
Controle da pressão alta. Imagem: Lucas Oliveira/Pexels
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

O controle da pressão alta poderia evitar cerca de 518 mil mortes por doenças cardiovasculares todos os anos no mundo. A estimativa faz parte de um estudo apresentado no Hypertension Scientific Sessions 2026, evento da Associação Americana do Coração (American Heart Association) dedicado a pesquisas sobre hipertensão e seus impactos na saúde.

A pesquisa analisou dados de saúde de 20 países e identificou o controle da pressão arterial como a medida preventiva com maior potencial de salvar vidas entre os serviços avaliados. Os resultados são preliminares e foram calculados por meio de modelos estatísticos, não de uma contagem direta de mortes evitadas.

O estudo também estimou que o tratamento com estatinas, medicamentos usados para reduzir o colesterol quando há indicação médica, poderia evitar outras 340.682 mortes cardiovasculares por ano. Já o controle da glicemia em pessoas com diabetes tipo 1 ou tipo 2 teria potencial para prevenir 309.520 mortes anuais.

Por que o controle da pressão alta é importante?

A hipertensão ocorre quando a pressão do sangue nas artérias permanece elevada. Sem controle adequado, ela aumenta o risco de problemas como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doenças renais.

Segundo os pesquisadores, apenas cerca de um em cada cinco adultos com hipertensão nos países analisados tinha a pressão controlada abaixo de 140/90 mmHg, limite utilizado no estudo.

Entre os fatores que dificultam esse controle estão a identificação insuficiente dos casos, o acesso limitado a consultas e medicamentos e as dificuldades de estrutura dos sistemas de saúde.

O controle da pressão alta depende de acompanhamento regular, uso correto dos medicamentos prescritos e mudanças nos hábitos de vida, conforme a orientação dos profissionais de saúde.

Como o estudo calculou as mortes que poderiam ser evitadas?

Os pesquisadores compararam a utilização atual de serviços preventivos com um cenário em que esses cuidados alcançassem cerca de 80% das pessoas elegíveis, proporção observada em sistemas de saúde considerados de alto desempenho.

Além do controle da pressão arterial, foram avaliadas outras medidas:

  • Uso de estatinas por pessoas com indicação para o tratamento do colesterol elevado;
  • Controle da glicemia em pessoas com diabetes;
  • Rastreamento dos cânceres de intestino, mama e colo do útero.

As estimativas indicaram que ampliar o acesso a esses cuidados poderia reduzir significativamente as mortes por doenças não transmissíveis, grupo que inclui doenças cardiovasculares e diferentes tipos de câncer.

Os resultados não representam uma previsão exata do número de mortes que seriam evitadas. Eles mostram o potencial estimado de ampliar a prevenção com base nos dados disponíveis.

Países de renda média têm grande potencial de melhoria

O levantamento incluiu 20 países de renda média alta e média baixa que registram números elevados de mortes por doenças não transmissíveis. Países de baixa renda não fizeram parte da análise.

Segundo as estimativas, melhorar o controle da pressão alta poderia evitar 223.282 mortes por ano em países de renda média alta e outras 223.655 em países de renda média baixa.

Os pesquisadores identificaram oportunidades de melhoria principalmente em locais com baixos índices de controle da hipertensão, acesso limitado ao tratamento do colesterol elevado e pouca utilização de exames de rastreamento do câncer.

As doenças não transmissíveis respondem por uma parcela expressiva das mortes no mundo, e a maioria desses óbitos ocorre em países de baixa e média renda. Nesse cenário, ampliar o acesso aos cuidados preventivos pode ajudar a reduzir complicações e mortes prematuras.

O que limita os resultados da pesquisa?

Os próprios autores destacam que alguns países analisados tinham dados limitados sobre a utilização dos serviços preventivos. Além disso, o estudo não detalha quais estratégias seriam mais eficazes para ampliar o acesso aos cuidados de saúde.

Outro ponto importante é que os resultados foram apresentados em um resumo científico e ainda não passaram por revisão por pares, etapa em que especialistas independentes avaliam a qualidade e a consistência de uma pesquisa antes da publicação completa.

O estudo também utilizou como referência uma meta de pressão arterial abaixo de 140/90 mmHg. As metas individuais podem variar conforme as recomendações clínicas e as condições de saúde de cada paciente.

Os pesquisadores defendem que novas investigações avaliem como ampliar o diagnóstico, o acesso aos medicamentos e a continuidade do tratamento. Enquanto isso, medir a pressão regularmente e seguir as orientações de saúde são medidas importantes para reduzir os riscos associados à hipertensão.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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