Os vapes podem provocar alterações nos vasos sanguíneos e danos ao DNA das células após uma única exposição, aponta um estudo publicado em 27 de outubro no periódico científico European Journal of Preventive Cardiology. A pesquisa analisou os efeitos de dispositivos de tabaco aquecido em adultos fumantes saudáveis.
O estudo foi realizado na Alemanha com 30 participantes. Os pesquisadores avaliaram amostras de sangue, pressão arterial e funcionamento dos vasos sanguíneos antes e depois do uso dos dispositivos.
Os resultados levantam dúvidas sobre a ideia de que os vapes de tabaco aquecido seriam menos prejudiciais à saúde cardiovascular do que os cigarros convencionais.
O que o estudo descobriu sobre os vapes?
Após comparar os exames, os pesquisadores identificaram alterações em indicadores relacionados à circulação sanguínea e ao funcionamento do organismo.
Entre os principais resultados observados após o uso dos vapes estão:
- Pressão arterial: aumento de 3 mmHg na pressão sistólica, que corresponde ao valor mais alto da medição.
- Funcionamento dos vasos sanguíneos: redução de 11% na função vascular avaliada.
- Oxigenação: queda de 71% para aproximadamente 46% no indicador de fornecimento de oxigênio relatado pelo estudo.
- DNA das células: identificação de sinais de danos genéticos e estresse oxidativo nas células sanguíneas.
O estresse oxidativo ocorre quando há um desequilíbrio entre substâncias oxidantes e os mecanismos de defesa antioxidante do organismo. Esse processo pode danificar estruturas celulares, incluindo o material genético.
Vapes podem afetar a circulação sanguínea
A função dos vasos sanguíneos é essencial para que o sangue transporte oxigênio e nutrientes pelo corpo. Por isso, alterações nessa função podem representar um sinal de atenção para a saúde cardiovascular.
Segundo os pesquisadores, os resultados mostram que uma única exposição aos vapes de tabaco aquecido foi suficiente para provocar mudanças nos indicadores analisados.
A principal autora do estudo, Lea Strohm, do Centro Médico Universitário de Mainz, na Alemanha, afirmou que a exposição aguda provocou alterações vasculares, metabólicas e genéticas nos participantes.
Para a pesquisadora, os resultados questionam as alegações de que os vapes de tabaco aquecido seriam menos prejudiciais ao sistema cardiovascular do que os cigarros tradicionais.
O que os danos identificados significam?
A identificação de alterações no DNA e de sinais de estresse oxidativo indica que as células apresentaram respostas relacionadas à exposição. No entanto, o estudo não permite afirmar que todos esses efeitos sejam permanentes ou que ocorram da mesma forma em todos os usuários de vapes.
A pesquisa também não comparou diretamente, nas mesmas condições, os efeitos dos dispositivos de tabaco aquecido com os do cigarro convencional. Por isso, não é possível determinar apenas com esses dados a diferença exata de risco entre os produtos.
Além disso, o estudo envolveu somente 30 adultos fumantes saudáveis e avaliou os efeitos após uma exposição. São necessárias pesquisas maiores para compreender melhor as consequências do uso frequente dos vapes.
Mesmo com essas limitações, os resultados reforçam a importância de investigar os riscos dos dispositivos de tabaco aquecido. Esses produtos não devem ser considerados inofensivos apenas por apresentarem diferenças em relação ao cigarro tradicional.
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