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Inclusão também é poder torcer do seu jeito

Walisson Silva Medeiros, gestor público, especialista em saúde coletiva e auditor hospitalar brasileiro – Foto: Arquivo

Por Walisson Medeiros (*)

Poucas coisas mobilizam tanto os brasileiros quanto o futebol. Em dias de grandes partidas, as ruas ganham novas cores, as famílias se reúnem, os amigos comemoram juntos e a emoção toma conta de todos. Mas existe uma pergunta que precisamos fazer: será que essa celebração é acolhedora para todas as pessoas?

Para muitas pessoas neurodivergentes — especialmente aquelas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, transtornos do processamento sensorial e outras condições — ambientes com excesso de sons, luzes, gritos, buzinas, fogos de artifício e grandes aglomerações podem representar uma experiência extremamente desgastante.

Isso não significa que elas não gostem de futebol, de confraternizações ou de compartilhar momentos especiais. Significa apenas que vivenciam essas experiências de uma maneira diferente.

E é justamente essa diferença que precisa ser compreendida pela sociedade.

Durante muito tempo, a inclusão foi entendida como a adaptação da pessoa ao ambiente. Hoje sabemos que o verdadeiro desafio é adaptar os ambientes para que todas as pessoas possam participar, cada uma respeitando seus próprios limites.

Uma pessoa neurodivergente pode precisar de um local mais silencioso, utilizar abafadores de ruído, fazer pausas durante um evento ou simplesmente escolher uma forma mais tranquila de torcer. Nada disso diminui sua participação. Pelo contrário: garante que ela possa exercer plenamente seu direito de estar presente.

Pequenas atitudes fazem uma enorme diferença. Avisar previamente sobre o evento, explicar como será a comemoração, evitar fogos de artifício, respeitar momentos de sobrecarga sensorial e compreender que nem todos demonstram entusiasmo da mesma forma são gestos simples, mas profundamente inclusivos.

Mais do que eliminar barreiras físicas, precisamos eliminar barreiras culturais. Inclusão não significa tratar todos de maneira igual; significa oferecer condições para que cada pessoa participe com dignidade, autonomia e segurança.

Quando falamos em neurodiversidade, estamos reconhecendo que existem diferentes formas de perceber o mundo, de aprender, de sentir e de interagir. Nenhuma delas é superior à outra. São apenas formas distintas de existir.

Construir uma sociedade verdadeiramente inclusiva exige empatia, informação e disposição para rever hábitos que, muitas vezes, excluem sem que percebamos.

Que possamos celebrar o esporte, a cultura, as festas e todos os momentos de convivência coletiva sem deixar ninguém de fora. Porque uma sociedade inclusiva não é aquela em que todos fazem as mesmas coisas da mesma maneira, mas aquela em que cada pessoa encontra espaço para participar sendo exatamente quem é.

Essa é a essência da inclusão: reconhecer que a diversidade humana não é um desafio a ser superado, mas uma riqueza a ser valorizada.

(*) Walisson Silva Medeiros é um gestor público, especialista em saúde coletiva e auditor hospitalar brasileiro. Com uma trajetória consolidada no SUS (Sistema Único de Saúde) e na administração pública de Minas Gerais, ganhou destaque regional e estadual por sua atuação técnica e inovadora, especialmente durante seu período como Secretário Municipal de Saúde de Ipatinga e, mais recentemente, ao assumir a Chefia de Gabinete da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte
Sobre o autor
A Redação do SERTEP Notícias é a equipe editorial responsável pela apuração, checagem e publicação das reportagens do portal — o braço de comunicação da SERTEP – Núcleo de Neurodiversidade. Especializada em saúde, neurodiversidade, inclusão e serviços públicos do Vale do Aço (MG), trabalha com fontes oficiais, checagem factual e linguagem clara, sempre com o beneficiário da notícia no centro. Conheça nossos padrões na Política Editorial.

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