Atualizado em 24/07/2026.
A Justiça suspendeu o leilão de duas áreas do bairro Horto, em Ipatinga, que a Prefeitura pretendia vender para atrair investimentos e gerar empregos. A decisão atendeu a representações do Ministério Público e de entidades locais, que apontaram risco ambiental e “desvio de finalidade” na venda.
O que a Prefeitura pretendia
A administração municipal havia publicado editais para a alienação de duas glebas no Horto — a Gleba 1A, de 720 metros quadrados, com valor mínimo de R$ 4.084.040,00 (Leilão Eletrônico nº 001/2026), e a Gleba 4 —, ambas em região estratégica próxima à BR-381. O objetivo declarado era atrair investimentos privados, ampliar a geração de empregos e impulsionar o desenvolvimento econômico local.
Por que a Justiça suspendeu o leilão
A suspensão partiu da 9ª Promotoria de Justiça de Ipatinga, com base em representações da Associação dos Moradores do Bairro Horto (AMOH) e do Movimento Salve a Mata do Horto; o Instituto Cidades também ingressou com representação. O argumento central é ambiental: a Gleba IV abrigaria o Córrego Nossa Senhora, que corre em leito natural com mata ciliar do bioma Mata Atlântica, além de áreas de preservação permanente (APP), relevos com inclinação superior a 45 graus e função de corredor ecológico e zona de amortecimento entre unidades de conservação.
Na decisão, o juiz Luiz Flávio Ferreira, da Vara da Fazenda Pública e Autarquias da Comarca de Ipatinga, também identificou desvio de finalidade na autorização da venda: a Lei Municipal nº 4.030/2020 se fundamentava apenas em “dificuldades financeiras ordinárias” do município.
O que acontece agora
Com a suspensão, os leilões ficam paralisados até nova definição judicial. O caso colocou frente a frente dois interesses legítimos: de um lado, a busca do município por receita e desenvolvimento econômico; de outro, a preservação de uma área verde considerada relevante do ponto de vista ambiental. O SERTEP vai acompanhar os próximos passos do processo.
Você mora no Horto ou no entorno e acompanha essa discussão? Conte para a gente como a área é usada pela comunidade — relatos ajudam a dimensionar o impacto local.
Com informações do Ministério Público de Minas Gerais, da Prefeitura de Ipatinga e de veículos locais que acompanharam o caso.








