Um indicador já presente em muitos smartwatches e aplicativos de saúde pode, no futuro, ajudar a identificar pessoas com maior riscos para doenças cerebrais neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.
A descoberta foi apresentada por um grupo internacional de pesquisadores de diferentes universidades da Europa e dos Estados Unidos, que encontrou uma relação entre a variação da frequência cardíaca durante o sono e o funcionamento do sistema responsável pela “limpeza” do cérebro.
Segundo o estudo, pequenas variações no intervalo entre os batimentos cardíacos — conhecidas como variabilidade da frequência cardíaca — podem refletir a eficiência do sistema glinfático, mecanismo que elimina resíduos acumulados no cérebro enquanto dormimos. Hoje, esse tipo de avaliação depende de exames complexos e caros, mas os cientistas acreditam que, no futuro, ela poderá ser feita de forma muito mais simples.
O que acontece durante o sono?
Enquanto a pessoa dorme, o cérebro ativa um sistema de limpeza que remove substâncias produzidas pelo metabolismo das células nervosas. Esse processo é mais intenso durante o sono profundo e é considerado importante para manter a saúde cerebral.
Quando essa limpeza não acontece de forma eficiente, aumenta o risco de problemas como Alzheimer, Parkinson e outras doenças neurodegenerativas. Além disso, fatores como envelhecimento, estresse, depressão e doenças cardiovasculares podem prejudicar esse mecanismo.
Frequência cardíaca pode servir como indicador de riscos para doenças cerebrais
Os pesquisadores descobriram que determinadas oscilações da frequência cardíaca acompanham a atividade de uma região do cérebro ligada à consolidação da memória e ao funcionamento do sistema glinfático. Como muitos relógios inteligentes já monitoram a variabilidade da frequência cardíaca, a expectativa é que, no futuro, algoritmos específicos possam utilizar esses dados para indicar se esse sistema está funcionando adequadamente.
Se essa relação for confirmada em novos estudos, a tecnologia poderá auxiliar tanto na identificação precoce de pessoas com maior risco de doenças neurodegenerativas quanto no acompanhamento da eficácia de tratamentos voltados à saúde cerebral.
Pesquisa ainda precisa de confirmação
Os próprios autores ressaltam que os resultados representam um avanço científico, mas ainda não permitem o uso da variabilidade da frequência cardíaca como exame para diagnóstico. A pesquisa identificou uma associação entre os fenômenos observados, porém essa relação ainda precisa ser melhor compreendida e validada em estudos futuros.
Até que isso aconteça, os pesquisadores veem a descoberta como um passo importante para o desenvolvimento de métodos mais simples e acessíveis de monitorar a saúde do cérebro utilizando tecnologias já presentes no dia a dia de muitas pessoas.
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