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Aptidão cardiorrespiratória: entenda como ela pode proteger a saúde

Aptidão cardiorrespiratória protege cérebro e saúde; entenda
Aptidão cardiorrespiratória protege cérebro e saúde. Imagem: Pexels
🩺 Conteúdo informativo
Esta reportagem tem finalidade jornalística e não substitui orientação médica.

A capacidade do corpo de captar, transportar e utilizar oxigênio durante uma atividade física é chamada de aptidão cardiorrespiratória. Ela já é conhecida por sua relação com a saúde do coração, mas pesquisas recentes indicam que níveis mais altos de condicionamento também podem estar associados a menor risco de problemas de saúde mental e doenças neurodegenerativas.

Uma revisão publicada na revista Nature Mental Health reuniu 27 estudos realizados entre 2009 e 2025, envolvendo mais de 4 milhões de pessoas, com idades entre 10 e 72 anos, em nove países.

Segundo os resultados analisados pelos pesquisadores, pessoas com melhor aptidão cardiorrespiratória apresentaram menor risco de desenvolver depressão, demência e transtornos psicóticos.

O que é aptidão cardiorrespiratória?

A aptidão cardiorrespiratória está relacionada à capacidade do organismo de fornecer e utilizar oxigênio durante exercícios e outras atividades que aumentam a demanda do corpo.

Na prática, ela envolve o trabalho conjunto de coração, pulmões, vasos sanguíneos e músculos para manter o organismo funcionando durante o esforço físico.

Uma pessoa com melhor condicionamento tende a conseguir realizar atividades como caminhar rapidamente, correr, pedalar ou nadar com maior capacidade de sustentar o esforço.

Por que a aptidão cardiorrespiratória pode beneficiar o cérebro?

De acordo com o neurologista Ivan Okamoto, do Einstein Hospital Israelita, uma das possíveis explicações está no aumento do fluxo sanguíneo provocado pelo exercício.

Esse processo pode melhorar a oferta de substâncias importantes para o funcionamento do cérebro, incluindo fatores relacionados ao crescimento e à manutenção dos neurônios.

O especialista explica que esse cenário pode favorecer a neuroplasticidade, capacidade que o cérebro tem de formar e reorganizar conexões entre os neurônios.

A prática regular de exercícios também pode ajudar a reduzir processos relacionados à inflamação crônica e ao estresse oxidativo, que estão associados a alterações do sistema nervoso e ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas.

Exercício pode reduzir o risco de depressão e demência?

Os resultados da revisão indicam uma associação entre melhor aptidão cardiorrespiratória e menor risco de algumas doenças.

Isso significa que as pessoas mais condicionadas apresentaram menor ocorrência desses problemas nos estudos analisados, mas os resultados, por si só, não comprovam que melhorar o condicionamento físico evite necessariamente depressão, demência ou transtornos psicóticos.

Diversos fatores podem influenciar tanto o nível de atividade física quanto a saúde mental e cerebral. Por isso, a relação observada precisa ser interpretada dentro do contexto de cada pesquisa.

Ainda assim, a consistência dos resultados em diferentes estudos reforça o interesse científico sobre a relação entre atividade física, saúde cardiovascular e funcionamento cerebral.

Quais exercícios melhoram a aptidão cardiorrespiratória?

As principais atividades para melhorar o condicionamento cardiorrespiratório são os exercícios aeróbicos, que aumentam a frequência cardíaca e exigem maior consumo de oxigênio.

Entre os exemplos estão:

  • caminhada em ritmo acelerado;
  • corrida;
  • ciclismo;
  • natação;
  • esportes que envolvem movimento contínuo.

A musculação também pode fazer parte da rotina. Embora tenha outro foco principal, o fortalecimento muscular pode melhorar a capacidade funcional e facilitar a realização de outras atividades físicas.

Como melhorar o condicionamento sem exagerar?

Para quem está começando, a recomendação é construir uma rotina que possa ser mantida ao longo do tempo, com aumento gradual da intensidade e da duração dos exercícios.

A melhor estratégia pode variar conforme idade, nível de condicionamento, presença de doenças e objetivos pessoais. Por isso, pessoas que estão sedentárias há muito tempo ou que possuem condições de saúde específicas podem se beneficiar de uma avaliação profissional antes de iniciar exercícios mais intensos.

Segundo Okamoto, a boa aptidão cardiorrespiratória deve fazer parte de um conjunto de hábitos saudáveis, que também inclui alimentação adequada e acompanhamento da pressão arterial.

Os resultados reunidos pela revisão reforçam que cuidar do condicionamento físico não está relacionado apenas ao coração. A prática regular de atividade física também pode estar associada a benefícios para a saúde cerebral e mental ao longo da vida.

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Sobre o autor
Gabriele de Paula é redatora, revisora editorial e publicadora no WordPress do SERTEP Notícias, responsável pela revisão, padronização editorial e publicação dos conteúdos, garantindo qualidade, clareza e conformidade com os padrões do portal.

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