Manter as vacinas em dia é uma das formas mais eficazes — e mais baratas — de proteger a saúde em todas as idades. No Brasil, o calendário nacional de vacinação reúne, de forma gratuita pelo SUS, as vacinas recomendadas do nascimento à terceira idade.
Este guia organiza quais são essas vacinas, para quem e em que momento tomá-las, além das mudanças mais recentes de 2026. É um conteúdo de referência: para orientação individual, consulte sempre a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um profissional de saúde, pois o esquema pode ser ajustado caso a caso.
O que é o Calendário Nacional de Vacinação
É o conjunto de vacinas oferecidas gratuitamente pelo SUS por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), um dos maiores programas públicos de imunização do mundo. As vacinas são organizadas por faixa etária e situação — crianças, adolescentes, adultos, gestantes e idosos — e estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde. A referência oficial é o calendário do Ministério da Saúde.
Vacinas para crianças (do nascimento aos 9 anos)
A infância concentra o maior número de doses, porque é quando o organismo mais precisa de proteção:
- Ao nascer: BCG (tuberculose) e Hepatite B.
- 2 meses: Pentavalente (DTP + Hib + Hepatite B), VIP (poliomielite inativada), Pneumocócica 20-valente e Rotavírus.
- 3 meses: Meningocócica C.
- 4 meses: Pentavalente, VIP, Pneumocócica 10-valente e Rotavírus (segundas doses).
- 5 meses: Meningocócica C.
- 6 meses: Pentavalente e VIP; a partir dessa idade, também Influenza (anual) e Covid-19, conforme as recomendações vigentes.
- 9 meses: Febre Amarela.
- 12 meses: Tríplice Viral (sarampo, caxumba e rubéola), reforço da Pneumocócica 20 e reforço da Meningocócica ACWY.
- 15 meses: segunda dose da Tríplice Viral e primeira dose da Varicela (podendo ser aplicada a Tetra Viral, conforme a disponibilidade na sala de vacinação), além dos reforços de DTP e da poliomielite inativada (VIP) e da dose de Hepatite A.
- 4 anos: reforços de DTP e da poliomielite inativada (VIP), Varicela e reforço da Febre Amarela.
Duas atualizações importantes de 2026: o esquema de rotina passou a usar a VIP (poliomielite inativada, injetável) também nos reforços, no lugar da antiga VOP (gotinha); e, durante a fase de transição, a vacinação pneumocócica combina a Pneumo 20-valente (aos 2 e 12 meses) com a Pneumo 10-valente (aos 4 meses), enquanto houver estoque da 10-valente.
Adolescentes (10 a 19 anos)
A adolescência tem vacinas próprias e é a hora de atualizar a caderneta:
- HPV: dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos.
- Dengue: vacina Qdenga (Takeda), em duas doses com intervalo de três meses, para a faixa de 10 a 14 anos, nos municípios contemplados.
- Meningocócica ACWY: uma dose entre 11 e 14 anos, conforme o histórico vacinal.
- Mantenha ainda em dia dT, Hepatite B, Tríplice Viral e Febre Amarela conforme a caderneta.
Adultos, gestantes e idosos
A vacinação não termina na infância. Para adultos, recomenda-se manter o reforço de dT (difteria e tétano) a cada dez anos, além de Hepatite B, Tríplice Viral (até os 59 anos) e Febre Amarela. A Influenza é oferecida anualmente nas campanhas, com prioridade para grupos como idosos, gestantes, crianças, pessoas com comorbidades e profissionais de saúde.
As gestantes têm esquema específico: dT/dTpa a partir da 20ª semana, Hepatite B, Influenza e a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) a partir da 28ª semana. Já os idosos (60 anos ou mais) devem priorizar a Influenza anual, a Pneumocócica 23-valente — indicada a grupos específicos, como idosos em instituições de longa permanência ou com condições clínicas de risco — e os reforços de dT e de Covid-19, conforme as recomendações vigentes do Ministério da Saúde.
O que mudou na vacinação em 2026
Dengue. A vacina Qdenga segue disponível no SUS para a faixa de 10 a 14 anos. Em 8 de junho de 2026, porém, o Ministério da Saúde e a Anvisa orientaram a interrupção temporária e preventiva da vacinação com a Butantan-DV — outra vacina, aplicada a profissionais de saúde e a adultos de 15 a 49 anos em municípios específicos — para reavaliação da estratégia, após a notificação de 42 casos com sinais de alerta (0,008% das cerca de 500 mil doses), três deles graves. A Qdenga não foi afetada. Detalhamos o caso na investigação sobre a vacina do Butantan.
Pneumocócica. O SUS iniciou em 2026 a incorporação da Pneumocócica 20-valente, que amplia a proteção em relação à Pneumo 10 e passa a compor o esquema durante a fase de transição — tema que acompanhamos na chegada da Pneumo 20 ao calendário.
Influenza. As campanhas anuais seguem reforçando a cobertura diante do aumento de casos graves da doença.
Onde se vacinar
As vacinas do calendário são gratuitas nas Unidades Básicas de Saúde. Vale ficar atento às campanhas de multivacinação e aos Dias D promovidos pelos municípios — como os que a SERTEP tem acompanhado em Ipatinga e Timóteo —, que ampliam horários e facilitam a atualização da caderneta. Para quem vai viajar, é recomendável verificar as vacinas exigidas com antecedência.
Perguntas frequentes
As vacinas do SUS são gratuitas?
Sim. Todas as do Calendário Nacional de Vacinação são oferecidas gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde.
Preciso levar a caderneta de vacinação?
Sim. Ela permite ao profissional avaliar o histórico e indicar as doses pendentes.
Perdi uma dose — preciso recomeçar o esquema?
Na maioria dos casos, não: retoma-se de onde parou. Confirme sempre na UBS.
Adulto também precisa se vacinar?
Sim. Há vacinas e reforços recomendados para adultos, gestantes e idosos, não apenas para crianças.








