O Brasil registrou, em 2025, o menor número de casos de malária em 48 anos, segundo o Ministério da Saúde. Foram 118.037 casos de transmissão local, uma redução de 14,8% em comparação com 2024.
Além da queda nos registros, o número de mortes provocadas pela doença também diminuiu. Segundo a pasta, houve uma redução de 30% nas mortes em 2025.
O resultado foi atribuído pelo Ministério da Saúde, entre outros fatores, ao aumento do uso da tafenoquina, medicamento de dose única disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para prevenir novas manifestações causada pelo Plasmodium vivax e reduzir os casos de malária.
Tafenoquina é apontada como uma das estratégias contra recaídas em casos de malária
A malária causada pelo Plasmodium vivax, espécie mais frequente no Brasil, apresenta uma característica que dificulta o controle da doença.
Mesmo depois do tratamento da infecção inicial em casos de malária, formas do parasita podem permanecer no fígado e provocar novas manifestações meses depois. Isso pode acontecer sem que a pessoa tenha sido novamente picada por um mosquito transmissor.
Antes da adoção da tafenoquina, o tratamento para evitar essas recaídas exigia medicamentos administrados diariamente durante até duas semanas. De acordo com o Ministério da Saúde, o período prolongado pode dificultar a adesão ao tratamento, especialmente em regiões de acesso mais difícil aos serviços de saúde.
A tafenoquina foi incorporada ao SUS em 2023 e começou a ser disponibilizada para pacientes a partir dos 16 anos. O medicamento é administrado em dose única para casos de malária.
Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas haviam recebido o tratamento. Desse total, cerca de 3,9 mil tratamentos foram registrados em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs).
Crianças também passaram a receber a tafenoquina
Em 2026, o Ministério da Saúde ampliou o uso da tafenoquina para crianças, tornando o Brasil, segundo a pasta, o primeiro país do mundo a oferecer o medicamento pediátrico pela rede pública.
A medida busca ampliar o combate à malária porque as crianças representam aproximadamente 50% dos registros da doença no país, de acordo com o ministério.
As primeiras doses pediátricas começaram a ser aplicadas na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, antes da expansão para outros territórios.
A escolha da região está relacionada ao histórico de alta ocorrência de malária e à grave crise sanitária enfrentada pelos povos indígenas nos últimos anos.
Casos de malária caíram na Terra Yanomami
A Terra Indígena Yanomami foi uma das regiões mais afetadas pela crise sanitária que levou o governo federal a decretar emergência em saúde pública por casos de malária em janeiro de 2023.
Naquele período, foram identificados indígenas com quadros graves de desnutrição e malária. Entre janeiro e junho de 2023, 217 pessoas morreram na região em decorrência de desnutrição, malária, infecções respiratórias agudas e outras causas, segundo os dados apresentados na publicação.
Após a ampliação das estratégias de combate à malária, os indicadores também apresentaram melhora.
Entre março e junho de 2026, o número de casos de malária caiu 61,9% em comparação com o mesmo período de 2025.
Já entre janeiro e julho deste ano, o total de casos, considerando tanto novas infecções quanto recaídas, apresentou redução de 55% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Brasil tem menor número de casos desde 1978
O Ministério da Saúde afirma que os 118.037 casos registrados em 2025 representam o menor número desde 1978.
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, nesta segunda-feira (17), durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, realizado em Brasília.
A pasta relaciona a redução dos casos ao conjunto de ações de controle da doença e destaca especialmente a ampliação do uso da tafenoquina no tratamento da malária por P. vivax.
Os números também mostram uma queda nas mortes, que diminuíram 30% em 2025.
Apesar dos avanços, o combate à malária continua sendo um desafio especialmente em áreas onde fatores ambientais, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e condições sociais favorecem a transmissão.
A expansão de tratamentos capazes de evitar recaídas, incluindo o uso da tafenoquina em crianças, é apontada pelo Ministério da Saúde como uma das estratégias para manter a redução dos casos e das mortes pela doença no país.
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